VictorRib

13 setembro, 2008

Deslizamento de encosta em Niterói (2005)

Essa reportagem é uma suíte de uma reportagem sobre o deslizamento de terra que aconteceu numa importante via que liga a Zona Sul ao Centro de Niterói. Publicada no site O Fluminense Online dia 1º de junho de 2005 e no jornal O Fluminense, no dia seguinte.

01/06/2005

Título
Rua completa um mês de interdição no Ingá

Chamada com foto-legenda
A Rua São Sebastião, interditada desde o dia 2 de maio pela Defesa Civil, só será liberada depois que uma empresa contratada pela prefeitura construir um muro de contenção. Enquanto isso, o movimento no comércio despenca, os motoristas que vão da zona sul de Niterói para o Centro perdem muito tempo no trânsito e os moradores seguem insatisfeitos.

Texto interno
Quem precisa passar pela Rua São Sebastião, no Ingá, vive um transtorno que já dura um mês. No dia 1° de maio, a chuva fez parte da encosta do Morro do Estado deslizar e atingir uma das principais vias de ligação da zona sul ao centro de Niterói. No dia 2, houve mais deslizamento e o trânsito foi interrompido pela Defesa Civil. A prefeitura anunciou a construção emergencial de um muro de contenção e a licitação para decidir qual empresa vai construir este muro está marcada para esta quinta-feira. A previsão é de que as obras comecem imediatamente e durem quatro meses. Enquanto isso, os motoristas tiveram de aumentar seus trajetos em mais de um quilômetro e perdem até 30 minutos no trânsito. Já os comerciantes reclamam da forte queda nas vendas.

Jair Carneiro, gerente de um posto de combustível que fica no cruzamento das ruas São Sebastião e Andrade Neves, afirma que o movimento caiu 70% e diz que a redução só não foi maior porque muitos clientes fiéis ainda procuram abastecer no local. “Se a rua continuar fechada, vou precisar tomar empréstimo para pagar as contas do posto e possivelmente terei que demitir alguns funcionários já nos próximos dias, para reduzir meu prejuízo”, acrescenta.

Os moradores do bairro também estão insatisfeitos. A professora Maria das Graças Soares se diz inconformada de ter de percorrer mais de 1,5 quilômetro desde o cruzamento das ruas Fagundes Varela e Paulo Alves até o edifício São Sebastião, onde mora, porque fileiras de “gelos baianos” chumbados no chão impedem a passagem do seu carro. O caminho normal, que ela usava antes da interdição, tinha pouco mais de 150 metros.

Até esta terça-feira o bloqueio era feito apenas com cavaletes, colocados pela Secretaria Municipal de Serviços Públicos nas duas extremidades da rua. No entanto, durante a noite e nos finais de semana, quando os fiscais da prefeitura não estavam no local, os motoristas retiravam os obstáculos e usavam a via. A secretária de Serviços Públicos, Dayse Monassa, explica que foi necessário furar o asfalto para colocar os blocos de concreto, porque os motoristas não respeitavam o fechamento da rua. Ela classifica como irresponsável a atitude de quem passava pela São Sebastião, já que o movimento de veículos causa trepidação e poderia resultar num novo deslizamento. “Formou-se na encosta um talude negativo, uma espécie de pomo-de-adão, que pode cair a qualquer momento. Há uma árvore muito grande e muita terra, que, no caso de um deslizamento, causariam um desastre”, justifica.

O técnico em informática Júlio César da Silva Muniz mora na Rua Tiradentes, usada como desvio. “É bom que agora o ponto de ônibus fica quase na frente da minha casa. O problema é que a Tiradentes é uma rua residencial, sem a menor estrutura para receber esta quantidade de carros”, comenta. Dependendo do trecho das vias usadas como desvio (ruas Tiradentes, Lara Vilela e Andrade Neves), o tráfego flui em uma ou duas faixas de rolagem enquanto na São Sebastião fluía em duas ou três faixas. O estreitamento do caminho acaba causando congestionamento e aumenta o tempo de viagem em até meia hora.

O tenente-coronel Adilson Alves de Souza, da Defesa Civil Municipal, informa que, para o trânsito voltar ao normal, será necessário um laudo do órgão liberando a área. O documento, ainda segundo o comandante, será expedido assim que a prefeitura solicitar a liberação, o que só deve acontecer depois que o muro de contenção estiver erguido.

Victor Ribeiro, O Fluminense Online

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