Essa reportagem é uma suíte de uma reportagem sobre o deslizamento de terra que aconteceu numa importante via que liga a Zona Sul ao Centro de Niterói. Publicada no site O Fluminense Online dia 1º de junho de 2005 e no jornal O Fluminense, no dia seguinte.
01/06/2005
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Rua completa um mês de interdição no IngáChamada com foto-legenda
A Rua São Sebastião, interditada desde o dia 2 de maio pela Defesa Civil, só será liberada depois que uma empresa contratada pela prefeitura construir um muro de contenção. Enquanto isso, o movimento no comércio despenca, os motoristas que vão da zona sul de Niterói para o Centro perdem muito tempo no trânsito e os moradores seguem insatisfeitos.Texto interno
Quem precisa passar pela Rua São Sebastião, no Ingá, vive um transtorno que já dura um mês. No dia 1° de maio, a chuva fez parte da encosta do Morro do Estado deslizar e atingir uma das principais vias de ligação da zona sul ao centro de Niterói. No dia 2, houve mais deslizamento e o trânsito foi interrompido pela Defesa Civil. A prefeitura anunciou a construção emergencial de um muro de contenção e a licitação para decidir qual empresa vai construir este muro está marcada para esta quinta-feira. A previsão é de que as obras comecem imediatamente e durem quatro meses. Enquanto isso, os motoristas tiveram de aumentar seus trajetos em mais de um quilômetro e perdem até 30 minutos no trânsito. Já os comerciantes reclamam da forte queda nas vendas.Jair Carneiro, gerente de um posto de combustível que fica no cruzamento das ruas São Sebastião e Andrade Neves, afirma que o movimento caiu 70% e diz que a redução só não foi maior porque muitos clientes fiéis ainda procuram abastecer no local. “Se a rua continuar fechada, vou precisar tomar empréstimo para pagar as contas do posto e possivelmente terei que demitir alguns funcionários já nos próximos dias, para reduzir meu prejuízo”, acrescenta.
Os moradores do bairro também estão insatisfeitos. A professora Maria das Graças Soares se diz inconformada de ter de percorrer mais de 1,5 quilômetro desde o cruzamento das ruas Fagundes Varela e Paulo Alves até o edifício São Sebastião, onde mora, porque fileiras de “gelos baianos” chumbados no chão impedem a passagem do seu carro. O caminho normal, que ela usava antes da interdição, tinha pouco mais de 150 metros.
Até esta terça-feira o bloqueio era feito apenas com cavaletes, colocados pela Secretaria Municipal de Serviços Públicos nas duas extremidades da rua. No entanto, durante a noite e nos finais de semana, quando os fiscais da prefeitura não estavam no local, os motoristas retiravam os obstáculos e usavam a via. A secretária de Serviços Públicos, Dayse Monassa, explica que foi necessário furar o asfalto para colocar os blocos de concreto, porque os motoristas não respeitavam o fechamento da rua. Ela classifica como irresponsável a atitude de quem passava pela São Sebastião, já que o movimento de veículos causa trepidação e poderia resultar num novo deslizamento. “Formou-se na encosta um talude negativo, uma espécie de pomo-de-adão, que pode cair a qualquer momento. Há uma árvore muito grande e muita terra, que, no caso de um deslizamento, causariam um desastre”, justifica.
O técnico em informática Júlio César da Silva Muniz mora na Rua Tiradentes, usada como desvio. “É bom que agora o ponto de ônibus fica quase na frente da minha casa. O problema é que a Tiradentes é uma rua residencial, sem a menor estrutura para receber esta quantidade de carros”, comenta. Dependendo do trecho das vias usadas como desvio (ruas Tiradentes, Lara Vilela e Andrade Neves), o tráfego flui em uma ou duas faixas de rolagem enquanto na São Sebastião fluía em duas ou três faixas. O estreitamento do caminho acaba causando congestionamento e aumenta o tempo de viagem em até meia hora.
O tenente-coronel Adilson Alves de Souza, da Defesa Civil Municipal, informa que, para o trânsito voltar ao normal, será necessário um laudo do órgão liberando a área. O documento, ainda segundo o comandante, será expedido assim que a prefeitura solicitar a liberação, o que só deve acontecer depois que o muro de contenção estiver erguido.
Victor Ribeiro, O Fluminense Online