VictorRib

12 setembro, 2008

Mostra Rio 80 Graus (2006)

Essa foi publicada em janeiro de 2006, no site Bitsmag, voltado para música eletrônica e rock alternativo e cultura pop em geral:

RIO 80 GRAUS: FESTIVAL RESGATA O QUE A ÉPOCA DEIXOU DE MELHOR

Victor Ribeiro, especial para o Bitsmag

Você lembra da Maldita Fluminense FM? Do Circo Voador no Arpoador? Do programa Globo de Ouro? Então: para dizer que viveu os anos 80, ninguém precisa ficar se recordando daquele monte de… digamos… coisas esquisitas, como Paquitas, Gretchen, Perlla e Magal. Foi esta idéia de valorizar aspectos positivos que levou André Fischer a organizar o Festival Rio 80 Graus, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio, entre os dias 17 e 22 de janeiro.

A onda de celebração dos anos 80 começou há três anos no Rio e São Paulo, se espalhando rapidamente para outras grandes cidades e, pouco depois, para o interior. A intenção é aquela que a gente já sabe: tocar músicas de 20 anos atrás, principalmente aquilo considerado trash, deixando pouco espaço para os clássicos. A proposta de Fischer é exatamente o contrário: “mudar um pouco o parâmetro sobre os anos 80”. Em relação às festas com esta temática retrô que rolam atualmente, afirma que viveu “aquele período. Não considero justas as homenagens à produção cultural daquela época”.

Ele partiu então, para um outro viés dos anos 80: selecionou filmes que mostrassem o verão carioca dos anos 80, “onde a paisagem era mais do que apenas um elemento de fundo, mas uma protagonista nas histórias”, define o curador. Ente as películas escolhidas estão Rio Babilônia, de Neville d’Almeida, com cenas de sexo, drogas e rock nacional, Menino do Rio, de Antonio Calmon, obra que popularizou os esportes radicais e fez dos versos de Lulu Santos (Garota eu vou pra Califórnia…) o som do verão, e o superpremiado Nunca Fomos tão Felizes, de Murilo Salles. Não poderia ficar de fora Bete Balanço, de Lael Rodrigues, com a trajetória de uma jovem do interior em busca do sucesso na cidade grande, ao som de Cazuza e Frejat, é lógico.

Como se não bastasse, vão rolar ainda nove vídeos, entre eles os que a diretora Ruth Slinger gravou em locações como Parque Lage, Circo Voador, ensaios do grupo de teatro Asdrúbal Trouxe o Trombone e depoimentos colhidos na época como o do diretor estreante Walter Salles. A cineasta Sandra Kogut apresenta também seu acervo com entrevistas e gravações feitas na cidade; o videomaker Jodele Larcher exibe o projeto Mixto Quente, série de shows gravados nas praias do Pepino e Macumba e videoclipes dirigidos para o programa Fantástico. O DJ e produtor José Roberto Mahr, selecionou os bastidores da gravação do programa de rádio Novas Tendências e imagens das festas que promovia na boate Papagaio na Lagoa. Sobre estes vídeos, André Fischer lembra: “a Globo era o veículo quase que oficial da nova música nesse período pré-MTV e as festas e programas de rádio do José Roberto tiveram uma importância fundamental na minha formação musical”. Levantar este acervo não foi fácil. Fischer diz que precisou muito contar com a boa vontade dos diretores dos documentários.

Não há propostas de levar o Festival Rio 80 Graus para outras cidades, mas Fischer não descarta esta possibilidade. Vale a pena dar uma passada no CCBB para conferir mais essa do André Fischer, que no ano passado organizou a Mostra Punk 30 Anos e há 13 anos está à frente do Festival Mix Brasil, de diversidade sexual.

O que? Festival Rio 80 Graus
Quando? De 17 a 22 de janeiro, a partir das 15h
Onde? Centro Cultural Banco do Brasil do Rio: Rua Primeiro de Março, 66 – Centro. Tel: 21 3808-2020.
Quanto? R$ 8 Cinepasse válido para qualquer sessão de filme ou de vídeo, por 30 dias. R$ 4 Cinepasse para estudantes e maiores de 65 anos.

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