VictorRib

13 setembro, 2008

80 anos do jornal O Globo (2005)

Filed under: Online,Reportagem — Victor Ribeiro @ 12:19
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Festa/exposição de 80 anos do diário carioca O Globo, no CCBB do Rio. Fila enorme e tinha de estar às 20h na minha aula, em Niterói. A solução para não voltar sem nada foi procurar um personagem e entrevistá-lo. E que personagem! Publicado no dia 27/5/2005 pelo Fazendo Media.

UM PERSONAGEM NA FESTA DE O GLOBO

Por Victor Ribeiro (reportagem e foto)

Afernandes de Freitas, o Capitão Brasil em Ação, também tem oitenta anos

Afernandes de Freitas, o Capitão Brasil em Ação, também tem oitenta anos

Fila do Centro Cultural Banco do Brasil, Centro do Rio de Janeiro, 18h15 da terça-feira, 26 de julho. Quase uma centena de pessoas para a exposição que comemora os 80 anos do jornal O GLOBO. Resolvi não tentar encarar a fila, mas vi uma figura que chamou muito minha atenção e fui puxar assunto.

“Meu nome é Afernandes de Freitas, conhecido como Capitão Brasil em Ação, nascido na cidade de Guarabira, norte da Paraíba. Tenho quase 80 anos. Sou defensor dos deficientes e do echosystem, ou seja, da ecologia. Amigo dos ex-combatentes da Segunda Guerra Mundial e dos Direitos Humanos e Sociais que compõem os segmentos sociais no mundo contemporâneo, em obediência à Organização das Nações Unidas. Sou jornalista devido a um decreto de 1944, porque era correspondente na Segunda Guerra e descobri que três nações estavam destruindo os nossos navios, para que o Brasil tomasse parte na guerra”, apresenta-se este senhor da foto, empunhando uma bandeira do Brasil.

Havia me identificado como estudante de jornalismo e, depois de se apresentar, seu Afernandes perguntou se eu queria mesmo seguir esta profissão. Confirmei. “Meu filho, é bom você saber que os jornais sempre procuram suposições para tentar chegar ao que chamam de verdade. Todo mundo busca a verdade, mas ninguém nunca conseguiu dizer a verdade. Só vemos suposições”, sentenciou.

E o moço não parava de falar… E eu não parava de anotar… A cada momento, uma nova pérola. “Existem quatro grandes poderes no mundo: o primeiro deles é o do nosso senhor Jesus Cristo; o segundo é o poder do povo, que elege o terceiro – os governantes; o quarto grande poder é dos meios de ‘communication’, ou seja, as redes de rádio e televisão; o quinto agora não me lembro, mas não é importante, tanto que é o quinto”. Seu Afernandes jura ainda ter conhecido Roberto Marinho, a quem chama “o ilustre jornalista, doutor Roberto” e afirma admirar muito o trabalho de Roberto Marinho em favor do Brasil.

Quando levanto questionamentos em torno desta figura mítica que se tornou o “doutor Roberto”, ele desconversa e acaba mudando de assunto. “Sabe, quando uma pessoa é eleita, forma-se em volta delas um cordão de pára-raios e baba-ovos. É isso que está acontecendo com o Lula. Ele é um samaritano”. Mas então o senhor acredita na inocência dele? “Claro. Já disse: Lula é um samaritano”. Então quem estaria por trás destas tramóias todas? “Sei lá. Só sei que ele não está. Hoje em dia não podemos acusar ninguém politicamente, porque não existem mais comunistas. Existem facciosos comunistas. Também não existem socialistas; mas facciosos socialistas. Muito menos existem capitalistas. O que vemos por aí são facciosos capitalistas. E são facciosos porque não sabem o que são, nem fazem idéia do que estão fazendo ou falando, porque nunca estudaram nada. Só sabem o básico, mas não têm conhecimento suficiente para tomar posição política. Deveriam ficar em casa”.

Disse a voz da experiência(?).

12 setembro, 2008

Mostra Rio 80 Graus (2006)

Essa foi publicada em janeiro de 2006, no site Bitsmag, voltado para música eletrônica e rock alternativo e cultura pop em geral:

RIO 80 GRAUS: FESTIVAL RESGATA O QUE A ÉPOCA DEIXOU DE MELHOR

Victor Ribeiro, especial para o Bitsmag

Você lembra da Maldita Fluminense FM? Do Circo Voador no Arpoador? Do programa Globo de Ouro? Então: para dizer que viveu os anos 80, ninguém precisa ficar se recordando daquele monte de… digamos… coisas esquisitas, como Paquitas, Gretchen, Perlla e Magal. Foi esta idéia de valorizar aspectos positivos que levou André Fischer a organizar o Festival Rio 80 Graus, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio, entre os dias 17 e 22 de janeiro.

A onda de celebração dos anos 80 começou há três anos no Rio e São Paulo, se espalhando rapidamente para outras grandes cidades e, pouco depois, para o interior. A intenção é aquela que a gente já sabe: tocar músicas de 20 anos atrás, principalmente aquilo considerado trash, deixando pouco espaço para os clássicos. A proposta de Fischer é exatamente o contrário: “mudar um pouco o parâmetro sobre os anos 80”. Em relação às festas com esta temática retrô que rolam atualmente, afirma que viveu “aquele período. Não considero justas as homenagens à produção cultural daquela época”.

Ele partiu então, para um outro viés dos anos 80: selecionou filmes que mostrassem o verão carioca dos anos 80, “onde a paisagem era mais do que apenas um elemento de fundo, mas uma protagonista nas histórias”, define o curador. Ente as películas escolhidas estão Rio Babilônia, de Neville d’Almeida, com cenas de sexo, drogas e rock nacional, Menino do Rio, de Antonio Calmon, obra que popularizou os esportes radicais e fez dos versos de Lulu Santos (Garota eu vou pra Califórnia…) o som do verão, e o superpremiado Nunca Fomos tão Felizes, de Murilo Salles. Não poderia ficar de fora Bete Balanço, de Lael Rodrigues, com a trajetória de uma jovem do interior em busca do sucesso na cidade grande, ao som de Cazuza e Frejat, é lógico.

Como se não bastasse, vão rolar ainda nove vídeos, entre eles os que a diretora Ruth Slinger gravou em locações como Parque Lage, Circo Voador, ensaios do grupo de teatro Asdrúbal Trouxe o Trombone e depoimentos colhidos na época como o do diretor estreante Walter Salles. A cineasta Sandra Kogut apresenta também seu acervo com entrevistas e gravações feitas na cidade; o videomaker Jodele Larcher exibe o projeto Mixto Quente, série de shows gravados nas praias do Pepino e Macumba e videoclipes dirigidos para o programa Fantástico. O DJ e produtor José Roberto Mahr, selecionou os bastidores da gravação do programa de rádio Novas Tendências e imagens das festas que promovia na boate Papagaio na Lagoa. Sobre estes vídeos, André Fischer lembra: “a Globo era o veículo quase que oficial da nova música nesse período pré-MTV e as festas e programas de rádio do José Roberto tiveram uma importância fundamental na minha formação musical”. Levantar este acervo não foi fácil. Fischer diz que precisou muito contar com a boa vontade dos diretores dos documentários.

Não há propostas de levar o Festival Rio 80 Graus para outras cidades, mas Fischer não descarta esta possibilidade. Vale a pena dar uma passada no CCBB para conferir mais essa do André Fischer, que no ano passado organizou a Mostra Punk 30 Anos e há 13 anos está à frente do Festival Mix Brasil, de diversidade sexual.

O que? Festival Rio 80 Graus
Quando? De 17 a 22 de janeiro, a partir das 15h
Onde? Centro Cultural Banco do Brasil do Rio: Rua Primeiro de Março, 66 – Centro. Tel: 21 3808-2020.
Quanto? R$ 8 Cinepasse válido para qualquer sessão de filme ou de vídeo, por 30 dias. R$ 4 Cinepasse para estudantes e maiores de 65 anos.

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