Esta reportagem, também sobre a Bienal do Livro de 2005, foi feita para a edição de 15/5 do jornal O Fluminense. A cobertura da Bienal não é nada muito misterioso, mas requer uma certa agilidade, porque a assessoria de imprensa despeja muita informação o tempo inteiro, o espaço físico é muito grande e muitos eventos ocorrem simultaneamente, como palestras, debates, sessões de autógrafos e coletivas. Eu apanhei feio quando cobri a Bienal do Livro de 2003 para o Fazendo Media, que na época era somente um programa de TV. Foi bacana porque conseguimos levar uma equipe grande, disposta e empenhada. Trabalhamos 11 dias, que pareceram 11 meses. Todos ficaram esgotados, mas valeu. Não existia cobrança, porque era tudo nosso: dinheiro nosso, programa nosso… Isso nos dava uma certa chance de sermos “amadores”, mesmo porque 60% da equipe ainda estava no 2º semestre da faculdade.
Em 2005, eu voltei pelo Fluminense Online. Apesar de ser estagiário, a exigência era de cobertura profissional. O Flu Online me mandou e o jornal O Fluminense mandou uma repórter, também estagiária. A gente fez a cobertura junto, mas, algumas vezes, o texto que eu mandava no dia pro site, saía no dia seguinte no impresso. E não era porque ela era ruim e eu o bonzão, não. A rotatividade no jornal era grande demais. Dificilmente tinham repórteres acostumados com a cobertura do dia-a-dia. No lugar da repórter, sem dúvida, eu teria passado o mesmo perrengue. Nessas horas, o tempo de casa nos ajuda a focar e uma experiência prévia ajuda a procurar onde estão as informações que se adeqüam à linha editorial do jornal.
JOVENS SÃO MAIORIA NO PRIMEIRO DIA DE VISITAÇÃO ESCOLAR À BIENAL
Os estudantes foram a maioria do público desta sexta-feira na 12ª Bienal do Livro. Os 27 mil alunos de escolas públicas e privadas representaram 64% dos 42 mil visitantes no primeiro dia de visitação das escolas ao Riocentro. Os números confirmam as expectativas dos organizadores da Bienal, de que a metade das 600 mil pessoas que vão passar por lá até o próximo dia 22 é formada por jovens.
A grande quantidade de estudantes, no entanto, não significa necessariamente aumento nas vendas. Para eles, os preços nesta Bienal estão mais altos do que na última edição, em 2003. Luiz Eduardo Castelo Branco, de 19 anos, estuda no terceiro ano do ensino médio do Colégio Estadual Presidente Dutra, em Serópédica, Baixada Fluminense. Esta é a segunda vez que ele vem à Bienal e disse ter gastado mais em comida do que em livros: “Tudo o que se tem para comer aqui dentro é caro”, afirma. Ele e os colegas de turma ficaram durante cinco horas nos três pavilhões do Riocentro e gastaram, em média, R$ 35 cada um.
Um dos colegas de Luiz Eduardo, Tiago Moreira de Oliveira, de 18 anos, comprou um único livro: “O Código da Vinci”, de Dan Brown. Para ele, a obra – uma das mais aclamadas no mercado literário no ano passado – vai ajudar a compreender melhor o Renascimento e ajudar no vestibular, no final do ano. Só com esta compra, Tiago gastou acima da média, já que o livro, da Editora Sextante, custa R$ 39,90.
Com muito ou pouco dinheiro para gastar, dificilmente os jovens guardam alguma quantia para levar de volta para casa. Mas nem só de livros – e gastos – é feita a Bienal. Muitas atrações gratuitas, como brincadeiras, jogos, atividades educativas e musicais, palestras, sessões de autógrafos e peças de teatro são pensadas para o público mais novo. Os colegas de turma de Luiz Eduardo, por exemplo, disseram que, de tudo que viram, o que mais gostaram foi a apresentação do Bob Esponja, personagem de desenho animado.
Mesmo que escola não leve, estudantes vão à Bienal
A escola de André Mendes, de 17 anos, fica em Angra dos Reis e não pôde levar os alunos à Bienal. Mesmo assim, ele e um grupo de amigos se organizaram para visitar a feira literária. No entanto, acharam os preços dos livros altos demais: “Os livros são muito interessantes, mas a gente percebe que isso aqui é feito para os ricos. A maioria dos estudantes que visita a Bienal é de escolas públicas e nem sempre têm dinheiro para pagar o preço cobrado por clássicos como ‘Os Sertões’ ou best-sellers como ‘O Código da Vinci’. Acaba que as pessoas vêm simplesmente para ver e não para levar cultura para casa”, lamenta.Previsões otimistas
A previsão da organização da Bienal do Livro para este fim de semana é de receber 100 mil visitantes. A tendência é que este número seja ainda maior no próximo fim de semana, que marcará o fim do evento, mas os organizadores ainda não fizeram projeções. Neste sábado, os destaques do “Café Literário” são o jornalista Diogo Mainardi (às 12h), a escritora Ana Maria Machado (13h), os humoristas do Casseta & Planeta (16h), o escritor Moacyr Scliar (20h), além dos escritores Ruth Rocha e Ziraldo (às 14h, no “Fórum de Debates”), o mito Ferreira Gullar (14h, no “Imaginário do Autor”), o músico Marcelo Yuka (16h, na “Arena Jovem”) e o jogador de futebol Bebeto (18h, na “Arena Jovem”). Vale lembrar que neste sábado, na sexta-feira e no próximo sábado, a Bienal começa a funcionar às 10h e só fecha as portas às 23h. Aos domingos, o horário de funcionamento é das 10h às 22h. Nos outros dias, das 9h às 22h. A 12ª Bienal Internacional do Livro do Rio acontece no Riocentro, em Jacarepaguá, zona oeste do Rio.Victor Ribeiro, O Fluminense Online
