VictorRib

27 Setembro, 2008

Lixeira do Pop

Arquivado em: Online — Victor Ribeiro @ 13:27
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De vez em quando, escrevo no blog LIXEIRA DO POP, que eu mantenho com mais quatro amigos. A ideia é ter posts mais curtos e textos mais livres.

19 Setembro, 2008

Portifólio de áudio

Arquivado em: Uncategorized — Victor Ribeiro @ 13:46
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Eis o meu portifólio com arquivos em áudio:

http://www.myspace.com/victorribeiroportifolio

O que tem lá? O meu projeto experimental sobre a Rádio Búzios; dois dos inúmeros programas especiais de biografias que eu produzi na Rede Venenosa FM; um programa de DJ, também da Venenosa FM, no dia em que participei; um especial sobre o Anima Mundi que eu fiz para a rádio interna do shopping Bay Market.

Os detalhes de cada especial estão no espaço destinado à LETRA/LYRICS em cada faixa. Roteiros, playlists e ficha técnica estão lá.

http://www.myspace.com/victorribeiroportifolio

13 Setembro, 2008

Primeiros números da Bienal do Livro (2005)

Arquivado em: Jornal, Reportagem — Victor Ribeiro @ 12:40
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Esta reportagem, também sobre a Bienal do Livro de 2005, foi feita para a edição de 15/5 do jornal O Fluminense. A cobertura da Bienal não é nada muito misterioso, mas requer uma certa agilidade, porque a assessoria de imprensa despeja muita informação o tempo inteiro, o espaço físico é muito grande e muitos eventos ocorrem simultaneamente, como palestras, debates, sessões de autógrafos e coletivas. Eu apanhei feio quando cobri a Bienal do Livro de 2003 para o Fazendo Media, que na época era somente um programa de TV. Foi bacana porque conseguimos levar uma equipe grande, disposta e empenhada. Trabalhamos 11 dias, que pareceram 11 meses. Todos ficaram esgotados, mas valeu. Não existia cobrança, porque era tudo nosso: dinheiro nosso, programa nosso… Isso nos dava uma certa chance de sermos “amadores”, mesmo porque 60% da equipe ainda estava no 2º semestre da faculdade.

Em 2005, eu voltei pelo Fluminense Online. Apesar de ser estagiário, a exigência era de cobertura profissional. O Flu Online me mandou e o jornal O Fluminense mandou uma repórter, também estagiária. A gente fez a cobertura junto, mas, algumas vezes, o texto que eu mandava no dia pro site, saía no dia seguinte no impresso. E não era porque ela era ruim e eu o bonzão, não. A rotatividade no jornal era grande demais. Dificilmente tinham repórteres acostumados com a cobertura do dia-a-dia. No lugar da repórter, sem dúvida, eu teria passado o mesmo perrengue. Nessas horas, o tempo de casa nos ajuda a focar e uma experiência prévia ajuda a procurar onde estão as informações que se adeqüam à linha editorial do jornal.

JOVENS SÃO MAIORIA NO PRIMEIRO DIA DE VISITAÇÃO ESCOLAR À BIENAL

Os estudantes foram a maioria do público desta sexta-feira na 12ª Bienal do Livro. Os 27 mil alunos de escolas públicas e privadas representaram 64% dos 42 mil visitantes no primeiro dia de visitação das escolas ao Riocentro. Os números confirmam as expectativas dos organizadores da Bienal, de que a metade das 600 mil pessoas que vão passar por lá até o próximo dia 22 é formada por jovens.

Estudantes marcam presença

Estudantes: 64% do público

A grande quantidade de estudantes, no entanto, não significa necessariamente aumento nas vendas. Para eles, os preços nesta Bienal estão mais altos do que na última edição, em 2003. Luiz Eduardo Castelo Branco, de 19 anos, estuda no terceiro ano do ensino médio do Colégio Estadual Presidente Dutra, em Serópédica, Baixada Fluminense. Esta é a segunda vez que ele vem à Bienal e disse ter gastado mais em comida do que em livros: “Tudo o que se tem para comer aqui dentro é caro”, afirma. Ele e os colegas de turma ficaram durante cinco horas nos três pavilhões do Riocentro e gastaram, em média, R$ 35 cada um.

Um dos colegas de Luiz Eduardo, Tiago Moreira de Oliveira, de 18 anos, comprou um único livro: “O Código da Vinci”, de Dan Brown. Para ele, a obra – uma das mais aclamadas no mercado literário no ano passado – vai ajudar a compreender melhor o Renascimento e ajudar no vestibular, no final do ano. Só com esta compra, Tiago gastou acima da média, já que o livro, da Editora Sextante, custa R$ 39,90.

Com muito ou pouco dinheiro para gastar, dificilmente os jovens guardam alguma quantia para levar de volta para casa. Mas nem só de livros – e gastos – é feita a Bienal. Muitas atrações gratuitas, como brincadeiras, jogos, atividades educativas e musicais, palestras, sessões de autógrafos e peças de teatro são pensadas para o público mais novo. Os colegas de turma de Luiz Eduardo, por exemplo, disseram que, de tudo  que viram, o que mais gostaram foi a apresentação do Bob Esponja, personagem de desenho animado.

Mesmo que escola não leve, estudantes vão à Bienal

A escola de André Mendes, de 17 anos, fica em Angra dos Reis e não pôde levar os alunos à Bienal. Mesmo assim, ele e um grupo de amigos se organizaram para visitar a feira literária. No entanto, acharam os preços dos livros altos demais: “Os livros são muito interessantes, mas a gente percebe que isso aqui é feito para os ricos. A maioria dos estudantes que visita a Bienal é de escolas públicas e nem sempre têm dinheiro para pagar o preço cobrado por clássicos como ‘Os Sertões’ ou best-sellers como ‘O Código da Vinci’. Acaba que as pessoas vêm simplesmente para ver e não para levar cultura para casa”, lamenta.

Previsões otimistas

A previsão da organização da Bienal do Livro para este fim de semana é de receber 100 mil visitantes. A tendência é que este número seja ainda maior no próximo fim de semana, que marcará o fim do evento, mas os organizadores ainda não fizeram projeções. Neste sábado, os destaques do “Café Literário” são o jornalista Diogo Mainardi (às 12h), a escritora Ana Maria Machado (13h), os humoristas do Casseta & Planeta (16h), o escritor Moacyr Scliar (20h), além dos escritores Ruth Rocha e Ziraldo (às 14h, no “Fórum de Debates”), o mito Ferreira Gullar (14h, no “Imaginário do Autor”), o músico Marcelo Yuka (16h, na “Arena Jovem”) e o jogador de futebol Bebeto (18h, na “Arena Jovem”). Vale lembrar que neste sábado, na sexta-feira e no próximo sábado, a Bienal começa a funcionar às 10h e só fecha as portas às 23h. Aos domingos, o horário de funcionamento é das 10h às 22h. Nos outros dias, das 9h às 22h. A 12ª Bienal Internacional do Livro do Rio acontece no Riocentro, em Jacarepaguá, zona oeste do Rio.

Victor Ribeiro, O Fluminense Online

Bienal do Livro (2005)

Arquivado em: Jornal, Online, Reportagem — Victor Ribeiro @ 12:34
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Reportagem publicada pelo site O Fluminense Online, no dia 14/5/2005, e no dia seguinte pelo jornal O Fluminense. Confesso que não tenho muita habilidade para cobrir celebridades, mas é um exercício curioso e, em certa media, divertido. Preferi focar no público (a “celebridade” só aparece mesmo no terceiro parágrafo) e na situação criada pela falta de… ahnnn… comunicação entre os organizadores, que deixou os fãs tristes e pegou o ator de surpresa. Acabou causando um tumulto desnecessário, que resultou num ferimento no próprio ator.

Para quem não está acostumado, aqui no Rio é muito comum encontrarmos artistas correndo na praia, fazendo compras, se divertindo em boates, na fila do cinema… Então, não é normal este assédio feroz. Normalmente os fãs conversam com os artistas, pedem uma foto, um autógrafo, são atendidos e tchau. Ninguém costuma sair correndo nem nada. Talvez fosse o caso de permitirem que o Bruno Gagliaso desse os autógrafos normalmente, já que ele não se opunha a isso.

BATE-PAPO, AUTÓGRAFOS, TUMULTO E CORRE-CORRE. É A 12ª BIENAL DO LIVRO

Arena Jovem cheia para ver Bruno Gagliaso

Arena Jovem cheia para ver Bruno Gagliaso

“Sandálias da Humildade para ele”, reclamava o pequeno Carlos Henrique Brás Junior, de 10, indignado, do lado de fora da “Arena Jovem”. Lá dentro, o tema da discussão era homossexualidade. Claro que, assim como a maioria das 40 ou 50 pessoas que se amontoavam nas duas portas da “Arena”, Junior não fazia a menor idéia do debate: “Quero ver o Bruno. Quero ver o Bruno”, dizia. Acabou não vendo.

Quem também queria “ver o Bruno” eram as amigas Priscila Elídia e Tayane Tardy, ambas de 12 anos, que, confessam, não são muito fãs de Bruno. Já a irmã de Tayane, Giuliana Tardy, de cinco anos, não se conformava: “O guarda não quer deixar a gente entrar”, repetia, com voz e expressão tristes, segurando um marcador de livro que algum espectador deixara cair. As três e mais algumas dezenas de fãs estavam numa “fila de espera” criada pelos seguranças que, na verdade, só deixavam o trânsito de pessoas fluir em um sentido: o lado de fora.

O Bruno em questão é o ator Bruno Gagliaso, 23 anos, intérprete de Junior, um personagem homossexual da novela “América”, da TV Globo. Nesta sexta-feira, durante sua participação na 12ª Bienal Internacional do Livro do Rio, o ator criticou a discriminação sexual e afirmou que pelo menos 8% do público da televisão brasileira é homossexual assumido. Bruno destacou a importância de saber respeitar as opções dos outros. No final do bate-papo, ele chamou os fãs para perto de si e deu alguns autógrafos, até ser interrompido pela organização da Bienal. Os seguranças e assessores pediram que ele fosse rápido na saída, para evitar tumultos.

Do lado de fora, o carrinho da Bienal o esperava, cercado por admiradores, fotógrafos repórteres e seguranças. Muitos seguranças – ao menos duas dezenas. Para abrir caminho, foi necessário dar um empurrãozinho nos fãs, que correram atrás do carrinho – devidamente escoltado pelos seguranças – até um dos portões de saída do Riocentro. Ninguém se feriu, a não ser o próprio Bruno Gagliaso, atingido nos olhos pela mão de alguém mais exaltado.

Victor Ribeiro, O Fluminense Online

80 anos do jornal O Globo (2005)

Arquivado em: Online, Reportagem — Victor Ribeiro @ 12:19
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Festa/exposição de 80 anos do diário carioca O Globo, no CCBB do Rio. Fila enorme e tinha de estar às 20h na minha aula, em Niterói. A solução para não voltar sem nada foi procurar um personagem e entrevistá-lo. E que personagem! Publicado no dia 27/5/2005 pelo Fazendo Media.

UM PERSONAGEM NA FESTA DE O GLOBO

Por Victor Ribeiro (reportagem e foto)

Afernandes de Freitas, o Capitão Brasil em Ação, também tem oitenta anos

Afernandes de Freitas, o Capitão Brasil em Ação, também tem oitenta anos

Fila do Centro Cultural Banco do Brasil, Centro do Rio de Janeiro, 18h15 da terça-feira, 26 de julho. Quase uma centena de pessoas para a exposição que comemora os 80 anos do jornal O GLOBO. Resolvi não tentar encarar a fila, mas vi uma figura que chamou muito minha atenção e fui puxar assunto.

“Meu nome é Afernandes de Freitas, conhecido como Capitão Brasil em Ação, nascido na cidade de Guarabira, norte da Paraíba. Tenho quase 80 anos. Sou defensor dos deficientes e do echosystem, ou seja, da ecologia. Amigo dos ex-combatentes da Segunda Guerra Mundial e dos Direitos Humanos e Sociais que compõem os segmentos sociais no mundo contemporâneo, em obediência à Organização das Nações Unidas. Sou jornalista devido a um decreto de 1944, porque era correspondente na Segunda Guerra e descobri que três nações estavam destruindo os nossos navios, para que o Brasil tomasse parte na guerra”, apresenta-se este senhor da foto, empunhando uma bandeira do Brasil.

Havia me identificado como estudante de jornalismo e, depois de se apresentar, seu Afernandes perguntou se eu queria mesmo seguir esta profissão. Confirmei. “Meu filho, é bom você saber que os jornais sempre procuram suposições para tentar chegar ao que chamam de verdade. Todo mundo busca a verdade, mas ninguém nunca conseguiu dizer a verdade. Só vemos suposições”, sentenciou.

E o moço não parava de falar… E eu não parava de anotar… A cada momento, uma nova pérola. “Existem quatro grandes poderes no mundo: o primeiro deles é o do nosso senhor Jesus Cristo; o segundo é o poder do povo, que elege o terceiro – os governantes; o quarto grande poder é dos meios de ‘communication’, ou seja, as redes de rádio e televisão; o quinto agora não me lembro, mas não é importante, tanto que é o quinto”. Seu Afernandes jura ainda ter conhecido Roberto Marinho, a quem chama “o ilustre jornalista, doutor Roberto” e afirma admirar muito o trabalho de Roberto Marinho em favor do Brasil.

Quando levanto questionamentos em torno desta figura mítica que se tornou o “doutor Roberto”, ele desconversa e acaba mudando de assunto. “Sabe, quando uma pessoa é eleita, forma-se em volta delas um cordão de pára-raios e baba-ovos. É isso que está acontecendo com o Lula. Ele é um samaritano”. Mas então o senhor acredita na inocência dele? “Claro. Já disse: Lula é um samaritano”. Então quem estaria por trás destas tramóias todas? “Sei lá. Só sei que ele não está. Hoje em dia não podemos acusar ninguém politicamente, porque não existem mais comunistas. Existem facciosos comunistas. Também não existem socialistas; mas facciosos socialistas. Muito menos existem capitalistas. O que vemos por aí são facciosos capitalistas. E são facciosos porque não sabem o que são, nem fazem idéia do que estão fazendo ou falando, porque nunca estudaram nada. Só sabem o básico, mas não têm conhecimento suficiente para tomar posição política. Deveriam ficar em casa”.

Disse a voz da experiência(?).

Reforma Política (2005)

Arquivado em: Online, Reportagem — Victor Ribeiro @ 12:03
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Reforma política ainda é um assunto atual (mesmo porque continua engavetada) e a fala do jurista Edson Vidigal remete à declaração do jornalista Mino Carta acerca da democracia no Brasil. Esta reportagem foi publicada na edição online do Fazendo Media, no dia 5/8/2005.

REFORMA POLÍTICA EM PAUTA

Por Victor Ribeiro

Um tema: reforma política e eleitoral. Um ponto de consenso: é necessário modificar a legislação. Muitas controvérsias. Na última quinta-feira, dia 4 de agosto, o debate “Reforma política e os rumos da República” reuniu no auditório da revista Istoé, no centro do Rio de Janeiro, o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Edson Vidigal, o ex-procurador e senador Demóstenes Torres (PFL-GO), o presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, e os cientistas políticos Fabiano Santos, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), e Otávio Amorim Neto, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Todos eles mediados pelo jornalista Aziz Filho, chefe da sucursal carioca da Istoé.

A discussão se concentrou em três aspectos da reforma política, considerados pela mesa pontos-chave: o financiamento das campanhas políticas, a fidelidade partidária e a votação por distrito.

As maiores divergências apareceram logo no primeiro ponto. Amorim Neto, Demóstenes e Vidigal são favoráveis ao financiamento público de campanha e contra o patrocínio feito por empresas privadas. Eduardo Gouvêa não se posiciona favorável ao uso do dinheiro público, mas é radicalmente contra o financiamento privado e explica: “O cidadão é patriota. Uma empresa não é patriota. O DNA de uma empresa é lucrar, é ganhar dinheiro”. Já Fabiano contraria toda a mesa, sendo favorável aos recursos de empresas privadas e contra o financiamento público.

Para Vidigal, a questão do financiamento das campanhas vai além da origem do dinheiro: o problema está na prestação de contas. Um projeto de lei apresentado por ele próprio ao Congresso em 1981 propõe que cada candidato abra uma conta bancária que teria o mesmo número de seu de registro (aquele número que nós usamos para votar) e já com o sigilo quebrado. O cidadão que quisesse poderia fazer doações. “Isso faria com que a corrupção acabasse, porque todo mundo poderia fiscalizar se um candidato não está recebendo muito dinheiro. Pra que tanto dinheiro? O horário no rádio e na TV é gratuito. Pra que eles [os candidatos] querem tanto dinheiro?”. O ministro do STJ lembra ainda que a fiscalização eleitoral no Brasil é muito falha: “A Justiça Eleitoral só fiscaliza quem foi eleito. Está errado. Tem que fiscalizar quem não venceu a eleição. Porque tem gente por aí que se candidata só pra pegar dinheiro e fica rezando pra não ser eleito”, justifica Edson Vidigal.

O ministro do STJ defende ainda uma nova Assembléia Constituinte: “Ainda não acabamos a transição para a democracia. Vivemos num Estado de democracia e liberdade restritas. Nossa Constituição é cheia de vícios da ditadura. A Carta é um ‘elixir paregórico’, com a solução para todos os problemas, mas não sabemos usá-la nem fiscalizá-la. Quando começamos a redemocratização, pensamos um projeto de nação, mas continuamos sem ver este projeto em prática. A reforma política só será eficaz se levar em consideração a opinião do povo, que precisa se unir e ir às ruas, fazer abaixo-assinados e o Congresso tem de apoiar esta consulta popular”, conclui Vidigal.

Entrevista Mino Carta (2005)

Arquivado em: Entrevista, Jornal — Victor Ribeiro @ 11:43
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Entrevista com o jornalista e diretor de redação da revista CartaCapital, Mino Carta. Este ping-pong, publicado no dia 20/6/2005 pelo Fazendo Media, foi feito durante a Bienal do Livro daquele ano. Eu, o Breno Costa, a Carolina Rangel e a Juliana Sá éramos duas das equipes que estavam na cobertura pelo FM. Eu e a Juliana para o programa de TV e o Breno e a Carolina para o jornal. Aí, aproveitamos uma hora vaga para irmos almoçar (por volta das 15h). Depois do almoço, resolvemos tirar uns minutos pra ver alguns stands, antes de voltar a cobrir e, se não me engano, quando estávamos na editora Francis, entra o Mino Carta, para uma sessão de autógrafos. A gente se apresentou, perguntou se poderia entrevistá-lo e ele topou, mas tinha de ser naquele momento, porque assim que acabassem os autógrafos, ele voltaria para São Paulo. Não deu nem pra pensar em pauta, mas acho que ficou bacana. Esta é a versão original. Na versão final, incluímos um abre, comentando a carreira dele, que passou por importantes redações, incluindo a de Veja.

ENTREVISTA: MINO CARTA

Mino Carta é jornalista e diretor de redação da revista CartaCapital.

Breno Costa – Hoje, na era da Internet, da televisão, enfim, de outros meios de informação, qual é o papel do livro para você, que é mais tradicionalista, ainda usa máquina de escrever?
É, é verdade… Veja, para mim o livro ainda é o caroço, ainda é a semente. A leitura ainda é fundamental. O homem não pode abandonar a leitura em proveito da observação das imagens. Claro que a imagem também tem seu papel, mas eu acho que valorizar a escrita é fundamental. Eu, pessoalmente, sou um pobre diabo que tem medo do computador. Eu receio que o computador vá, de uma hora para outra, me engolir, literalmente. Me engolir: ele abre a bocarra e me puxa para dentro dele e me tritura lá dentro, mastiga, me engole e me digere. Então, eu sou a favor do livro até por uma razão de defesa. Eu tento desesperadamente me defender. E acho que, ao defender a causa do livro, eu estou defendendo todo mundo. Espero que o homem não perca de vista que a leitura é fundamental.

Carolina Rangel – Eu tenho visto no jornalismo literário hoje em dia a teoria do agendamento: um livro é lançado numa grande editora, por um grande autor, sai em todos os jornais e acaba deixando de lado quem não é conhecido. O que você acha?
Eu encaro essa questão de dois pontos de vista. Primeiro, o ponto de vista, digamos, mais específico. Eu acho que o país padece de um mal gravíssimo, que é a ausência de crítica. Não me refiro somente à crítica literária, mas à crítica em geral, em total decadência. Em alguns casos ela nem existe mais, como nas artes plásticas. Mas eu acho que você propôs a pergunta muito corretamente. Existe o registro, existe uma história exclusivamente jornalística e não existe a reflexão sobre aquele livro. Não existe a indicação, para os leitores possíveis, relativa à qualidade do livro, aos problemas que o livro levanta, à discussão do que está nas páginas. Isso não tem e é gravíssimo. Do outro canto, eu acho que, de um modo geral, a imprensa – e quando eu falo em imprensa eu falo em jornalismo escrito – não contribui em nada, ela tem se esmerado no propósito de nivelar por baixo, na crença de que o leitor é um pobre diabo, ignorante e cuja ignorância tende a ser secundária. Então, a qualidade da língua nos nossos jornais e revistas é muito ruim, com um desrespeito ao vernáculo, com uma lida tão complicada com a língua, que realmente não é estímulo para quem gosta de ler. Houve um incentivo a reduzir tudo a um palavreado pobre, a uma língua medíocre, enquanto o português é uma língua belíssima, riquíssima, flexível, forte e suave. Enfim, uma língua extraordinária. E ela foi aviltada pela imprensa brasileira.

Breno Costa – É papel do jornalista lutar por uma sociedade melhor, tem que haver esse compromisso?
O papel do jornalista pode ter suas peculiaridades em relação ao papel do escritor. Eu contestaria a tese de que não se deve escrever ficção, porque a ficção é sempre proposta de uma situação que evoca a realidade. O bom escritor cria personagens que são absolutamente plausíveis. A seu modo, têm vida própria. Eu, por exemplo, os dois livros que eu escrevi (O Castelo de Âmbar e A Sombra do Silêncio) são livros que remetem a personagens. Não, o personagem sou eu colocado num contexto metafórico, mas sou eu descrevendo situações que eu vivi. É absolutamente a realidade. Mas eu acho que sempre se escreve, inevitavelmente, sobre a realidade. Tudo contribui para um melhor conhecimento das coisas, tudo contribui para a iluminação do leitor. Quanto ao jornalista, eu acho que este tem sim obrigações específicas. Eu acho que não se pratica jornalismo sem se obedecer a três princípio básicos: a fidelidade canina à verdade factual; o exercício desabrido e constante do espírito crítico; e, importantíssimo, a fiscalização do poder, onde quer que ele se manifeste. Sem isso, não há jornalismo. Agora, repare: o jornalismo brasileiro trabalha a favor de uma minoria privilegiada, não está interessado no país. Por quê? Porque está na mão de senhores que pertencem a essa minoria privilegiada e nunca farão concessões. Digamos, o Lula. O Lula é burro, o Lula é ignorante, o Lula só fala bobagem. Aqui não estou defendendo o governo do PT, veja bem. Mas por que eles fazem isso? Porque não admitem que um metalúrgico seja presidente deles! Essa é a concepção do jornalismo brasileiro hoje e, aliás, de alguma forma, sempre foi. Só que o Brasil já foi um país bem mais inteligente, teve jornalistas de muito mais qualidade.

Breno Costa – De que maneira essa concepção do jornalismo pode se alastrar para a sociedade como um todo?
O jornalista deveria praticar esse tipo de jornalismo apenas para a sociedade, sem impor verdades absolutas, mas oferecendo visões diversas, situações igualmente diversas, oferecendo aos leitores a oportunidade de meditar efetivamente sobre a realidade e perceberem isso ou aquilo que convenha ser percebido. Não esse bombardeio constante, essa manipulação vergonhosa que está sendo cometida diariamente. Nem se fale, então, da mídia eletrônica, não se fale da Globo, que é a desgraça do Brasil.

Julianna Sá – O que você acha da iniciativa do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de criar uma TV para a América Latina?
Eu confesso que não conheço bem a proposta do Hugo Chávez, mas acho que tudo aquilo que permite escapar à manipulação é bem-vindo. Se for assim, né? Teremos que ver se será assim.

Victor Ribeiro – A mídia é democrática?
Não, não há democracia no Brasil. Nós não somos um país democrático. Você acha possível um país democrático onde o desequilíbrio social é tão profundo, onde as pessoas são, efetivamente, manipuladas? Não adianta virem dizer que o povo vota de quatro em quatro anos; isso não prova democracia alguma. Além de tudo, o voto é obrigatório. Nos países civilizados, o voto não é obrigatório.

Victor Ribeiro – E qual seria a saída para democratizar a comunicação brasileira?
Precisaria democratizar o governo brasileiro? Precisaria democratizar o país, mas isso, evidentemente, é um processo excepcionalmente lento. Não é algo que acontece da noite para o dia. Carolina Rangel – Falando um pouco da sua trajetória como jornalista, você que fundou a Veja, a Istoé e agora está na CartaCapital, que se distingue totalmente das outras… Atuais. Não quando eu as fazia…

Carolina Rangel – Você conseguiu concretizar na CartaCapital esse jornalismo que você carregou durante toda a sua trajetória?
Eu acho que sim, eu acho que CartaCapital é a melhor coisa que eu fiz como jornalista. Mas acho que a Veja e a Istoé, no meu tempo, tiveram seu papel. Agora, os patrões são o que são; eles querem servir ao poder, querem fazer o negócio pessoal deles. Estão apenas interessados em predar, estão pouco ligando para o país. Eu trabalhei para muitos patrões e posso garantir para vocês que é uma vergonha. Eles só pensam na grana deles, no poder deles e dos pares deles. Estão minimamente interessados no país e no povo brasileiro.

Breno Costa – Você chegou a ser empregado do Roberto Civita?
Claro…

Breno Costa – E ele está nessa lista aí?
Roberto Civita? Além do fato de que Roberto Civita é um bobão, ele não merece meu respeito, inclusive porque é bobo. Mas, além de bobo, ele também pertence à categoria dos predadores. Ele é bobo; eu tive outros patrões que não eram tão bobos quanto ele.

Breno Costa – Como é que pode uma revista que atinge milhões de leitores ter como chefe editorial uma pessoa com esses adjetivos?
Chefe editorial eu nem sei mais se ele é. Você veja o quanto ele é incompetente: a editora Abril deve US$ 400 milhões, está falida, né? Toda a nossa mídia está falida, está quebrada, a começar pela Globo. E resiste porque a política ainda acha que precisa deles, são instrumentos que estão na mão de quem manda no país.

Carolina Rangel – Mas como se explica o número de leitores que a Veja tem?
Mas a Veja dá pena, né? Se você compara a Veja com os grandes jornais brasileiros, com os grandes jornais do mundo, você fica com pena. E são exemplos irretorquíveis de exigência mental, porque a manipulação é total. A classe média brasileira também acha que o Jornal Nacional da Globo é uma maravilha e não perdem um único e escasso capítulo da novela. E o que a gente vai fazer? As pessoas assistem ao Faustão, ao Gugu, a não sei mais quem… É ou não é? Então, porque a manipulação é selvagem.

Carolina Rangel – E ainda tem aquela imagem da imparcialidade, que não existe, né?
Não sei se o melhor termo é imparcialidade, acho que o melhor seria isenção. Eu acho que não se deve exigir do jornalista a objetividade. Quando me falam em objetividade eu não entendo, porque não há um jornalista de verdade que possa ser objetivo, porque nós somos subjetivos ao colocar uma vírgula numa frase. Agora, você tem que exigir a honestidade, ou seja, o relato fiel daquilo que ele viu, que é o respeito pela verdade factual. A partir daí, o jornalista tem todo o direito e o dever de expor a postura dele, a posição dele, e é fundamental que ele fiscalize o poder, senão não existiria jornalista.

Parlamento Juvenil da Alerj (2005)

Arquivado em: Jornal, Online, Reportagem — Victor Ribeiro @ 11:12
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Reportagem sobre o Parlamento Juvenil da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, que eu e a Malu fizemos para o Fazendo Media. Trata sobre a formação da identidade política dos jovens e a interferência dos partidos políticos neste processo. Publicada no dia 8/8/2005.

PARLAMENTO JUVENIL LEVA POLÍTICA PARA A SALA DE AULA
Alunos da rede pública estadual têm a oportunidade de participar da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro e discutir propostas de leis

Por Victor Ribeiro (reportagem e fotos) e Malu Muniz (reportagem)

Parlamentares juvenis em ação na Alerj

Parlamentares juvenis em ação na Alerj

Boas notas e um grande poder de persuasão. Estes são os dois principais pré-requisitos para quem quer um lugar no Parlamento Juvenil da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) no ano de 2006. O processo eleitoral para esta terceira edição começou no dia 3 de agosto, com a nomeação da comissão eleitoral, e entre os dias 10 e 17 serão conhecidos os alunos que vão disputar a vaga de cada um dos 92 municípios do estado.

O Parlamento Juvenil deste ano ocorreu entre os dias 25 e 29 de julho e teve como temas principais a corrupção e a educação. Curiosamente a assessoria de imprensa da Alerj fez farta divulgação de que a maior parte das propostas apresentadas pelos jovens dizia respeito apenas à educação, mas, de acordo com os próprios parlamentares juvenis, o combate à corrupção foi, sim, o tema principal, além de ter sido também aquele que apresentou maior índice de consenso.

Durante uma semana, os representantes dos 92 municípios do estado do Rio de Janeiro votaram propostas de lei. Aquelas que foram aprovadas serão, gradativamente, levadas para os deputados estaduais analisarem e, quem sabe, colocarem em prática. Bruno Marinho, representante da capital fluminense, não acredita que isso possa ocorrer. Para ele, os membros da Alerj não manifestam interesse real em votar as medidas aprovadas pelos jovens.

O coordenador do projeto, Arlindenor Pedro de Souza, acredita que na edição deste ano os parlamentares se mostraram mais maduros e ressalta que o importante é dar aos jovens a experiência no cotidiano da política e não necessariamente colocar em prática os projetos aprovados pelos estudantes.

Alguns personagens

Taciano Ramos (Itaguai), Rômulo Nascimento (Pirai), Bruno Marinho (Rio de Janeiro), Cristina de Oliveira Rosaes (Japeri), Cleiton Corrêa (Pinheiral), Eliane César Lisboa (Barra Mansa), Thais Ribeiro (Valença), Taiane Moraes (Mendes) e Marcela Teixeira (Rio das Ostras)

Da esquerda para a direita: Taciano Ramos (Itaguaí), Rômulo Nascimento (Piraí), Bruno Marinho (Rio de Janeiro), Cristina de Oliveira Rosaes (Japeri), Cleiton Corrêa (Pinheiral), Eliane César Lisboa (Barra Mansa), Thaís Ribeiro (Valença), Taiane Moraes (Mendes) e Marcela Teixeira (Rio das Ostras)

Estudante da terceira série do ensino médio, Cristina de Oliveira Rosaes obteve 80% de aprovação dos alunos da rede estadual de Japeri, na Baixada Fluminense. Ela faz parte do restrito grupo de parlamentares sem nenhuma ligação com partidos políticos. Também não se envolve com movimento estudantil nem com outra instância política. Mas isso não deve durar muito tempo: “Quero fazer vestibular para medicina, mas gostei muito de estar aqui, fazendo parte da política do meu estado. Já estou pensando num modo de juntar os dois. Talvez um dia eu consiga ser uma secretária de Saúde. Quem sabe?”.

Já Thaís Silva Ribeiro, de Valença, município do Médio Paraíba, participou das duas edições do Parlamento Juvenil, sempre apoiada pelo PMDB, partido ao qual é filiada. Ela trabalhou na última eleição, como cabo eleitoral do candidato a prefeito. Nas próximas eleições municipais vai concorrer a uma vaga na Câmara de Vereadores. Acredita que o partido irá dar tanto apoio a esta candidatura quanto deu à sua campanha para chegar ao Parlamento. Para ela, esta ajuda do partido – que ela preferiu não detalhar como foi feita – foi decisiva na conquista da cadeira na Alerj e aproveita para elogiar a gestão de Garotinho que, para ela, está fazendo um bom governo. Anthony Garotinho, secretário de gabinete e marido da governadora Rosinha, é o presidente do PMDB no Rio de Janeiro.

Outro parlamentar que recebeu amplo apoio partidário é o calouro de medicina Bruno Marinho. Ele representa o município do Rio de Janeiro e milita na política “desde pequeno”. O tio dele é o vereador Luiz Carlos Ramos, do PSDB. A forcinha do PSDB deu certo: Bruno obteve cerca de 4 mil votos, a maior aprovação em números absolutos. Ele já foi presidente do grêmio estudantil de seu colégio e atualmente é diretor-executivo da Juventude do PSDB.

Já o representante de São Sebastião do Alto (Região Serrana), Jardel da Silva Lamellas, não esperava ser eleito. Deficiente físico, ele anda e fala com grande dificuldade e, por isso, teve de se esforçar muito para se eleger. “Para mim, [ter sido eleito] foi uma surpresa. Fui de sala em sala pedindo votos, colocando as minhas idéias humildemente”, conta. Ele apresentou uma proposta para que os professores fossem preparados para lidar com os portadores de deficiência. O projeto foi aprovado. Jardel cursa a terceira série do ensino médio normal (formação de professores) e a segunda série geral. Além de ser professor, o jovem também quer estudar psicologia, para atuar nas escolas, e não descarta a possibilidade de seguir a carreira política. Ele pede para deixar uma mensagem aos internautas: “Nunca desista de um sonho, porque mais incapaz do que aquele que não consegue é aquele que não tenta”.

Como chegar lá?

Para conseguir um lugar no Parlamento Juvenil, o estudante disputa primeiro a liderança em sua escola. Depois, os vencedores de cada escola concorrem à vaga de representante do município. É necessário estar regularmente matriculado numa escola da rede estadual de ensino, da quinta série do ensino fundamental até a terceira série do ensino médio. Como o processo eleitoral começa com um ano de antecedência, alguns parlamentares juvenis já estão cursando o primeiro ano da faculdade. O aluno precisa ainda ter boas notas, ser participativo e comunicativo.

Entrevista com diretores e editor da BBC (2004)

Arquivado em: Entrevista, Jornal, Online — Victor Ribeiro @ 11:02
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Entrevista com o então diretor da BBC Brasil, Américo Martins, o editor-chefe da BBC Brasil, Rogério Simões, e o diretor da BBC América Latina, James Painter. A entrevista foi realizada no dia 16 de março de 2004 e publicada pelo Fazendo Media na primeira quinzena de abril daquele ano. É curioso notar que o Fazendo Media, realizava entrevistas regularmente, num esquema de sabatina: iam três, quatro ou cinco repórteres falar com apenas um entrevistado. É legal, porque permite que uma grande variedade de temas a serem abordados. A gente marcava a entrevista com antecedência e cada um, dentro das suas preferências, elaborava pautas. Eu, normalmente, focava mais em assuntos de economia e de cultura, com os quais eu tenho mais fluência.

No caso desta entrevista a seguir, ocorreu exatamente o contrário. A entrevista não estava marcada, mas eu não poderia perder a chance. E só tinha eu de repórter, para entrevistar três fontes. Acho que, neste contexto, ficou legal.

ENTREVISTA: AMÉRICO MARTINS, JAMES PAINTER E ROGÉRIO SIMÕES
Por Victor Ribeiro

“Uma entrevista diferente”. Foi assim que algumas pessoas classificaram a entrevista que o Fazendo Media publica nesta edição. Diferente por quê? Porque eu conversei com três pessoas ao mesmo tempo. O assunto é a British Broadcasting Corporation, ou BBC, uma senhora de 82 anos, com mais de 150 milhões de ouvintes. No início, estávamos eu e dois entrevistados: Américo Martins e Rogério Simões, que deram palestras na PUC-Rio nos dias 15 e 16 de março, durante um seminário sobre radiojornalismo, organizado pela PUC, pela CBN e pela BBC.

Martins foi repórter e editor-assistente de Política da Folha e coordenador de Política do JB, em Brasília. Em Londres, colaborou com várias publicações, entre elas O Estadão, O Dia, Istoé e a revista Primeira Leitura. É pós-graduado em Economia pelo Birkbeck College e mestre em Jornalismo Internacional pela City University, de Londres. É o diretor da BBC Brasil. Já Simões, jornalista formado pela USP, trabalha na BBC Brasil desde março de 2001. Antes, atuou na Folha, onde foi editor de Opinião, correspondente em Londres e repórter especial, entre outras funções. Foi ainda subeditor de Internacional da revista Veja e redator-chefe do portal de futebol Pelé.Net. Trabalhou também no Estadão, na Folha da Tarde e na Gazeta Mercantil. Simões é o editor-chefe da BBC Brasil. O terceiro entrevistado, que veio direto de Londres e se atrasou no aeroporto por causa da “operação padrão” da Polícia Federal é James Painter. Britânico, muito reservado, chegando aos 60 anos, apresenta-se de forma humilde, envergonhado, desculpando-se muito pelo atraso e por não falar nosso idioma. “Yo no hablo Português. ¿Puedo hablar em Español?”. “Si. Puede”. E lá vamos nós, com uma entrevista a três, em Português e Espanhol. Ah, sim: Painter é o diretor da BBC América Latina.

Fazendo Media – Para quem já trabalhou em grandes veículos nacionais, quais as diferenças éticas entre as imprensas brasileira e britânica?
Américo Martins –
Olha, eu acho que a Grã-Bretanha tem a melhor imprensa do mundo, que são os jornais mais tradicionais. Eles são bastante éticos, no momento que assumem suas posturas políticas, sem enganar o público. Mas tem também a pior imprensa do mundo, que são os tablóides sensacionalistas que não respeitam a privacidade de ninguém. No entanto, esses tablóides sempre enfrentam problemas, porque temos quatro principais códigos de ética e a cobrança sobre os jornalistas é muito grande. A gente tem o código do sindicato; o de auto-regulamentação, que é o PCC [Press Companies Comission, Comissão das Companhias de Imprensa]; as normas internas de cada empresa e ainda a Ofcom, que é um órgão superior. Então, é muito difícil alguma atitude condenável ficar impune. Lá a gente tem um bom exemplo, que foi o jornal News Of The World, que tem tiragem superior a 4 milhões de exemplares aos domingos e publicou uma lista com nomes, endereços e fotos de condenados por pedofilia que já haviam cumprido pena. O jornal foi processado e hoje eu duvido que eles voltem a fazer coisa parecida. Aqui no Brasil a gente tem o caso da Escola Base, que rendeu uma indenização insignificante de 10 mil reais. Outra coisa é essa revista [pega o exemplar de Veja datado de 17 de março]. É proibido publicar fotos em que se identifique uma pessoa morta ou que esteja sofrendo. Se a Veja fosse publicada lá, seria processada pelo povo. Infelizmente aqui no Brasil não é assim.

FM – Então vocês devem ter uma apuração mais cuidadosa…
Rogério Simões -
Pois é. A BBC não é simplesmente uma TV, uma rádio ou uma página na Internet. Nossos serviços são usados como fontes seguras. Além disso, somos uma empresa pública, paga pelo povo. O objetivo é sempre levar as notícias às pessoas com rapidez, mas também com precisão. Nós recomendamos aos jornalistas: duvide sempre, nem que seja por alguns segundos, porque a dúvida é amiga da informação; além disso, pense no contexto e nas implicações da notícia que será dada. A gente, por exemplo, só dá uma notícia de agência, se puder ser confirmada e se, pelo menos, duas grandes agências derem. A gente pode se dar esse luxo, porque nós temos 250 correspondentes espalhados em 50 escritórios pelo mundo, além dos mais de 3 mil free lances que sempre trabalham com a gente e da equipe que trabalha em Londres. Então, a gente prioriza a informação do correspondente e, quando erramos, não temos receio de pedir desculpas.

FM – Aqui no Brasil, a BBC tem parceria com a rádio CBN. Existe troca entre vocês ou é uma relação unilateral?
James Painter -
Eu costumo dizer que a BBC é um monstro, devido ao nosso tamanho, mas é um monstro benigno. Somente no serviço de rádio, no qual eu trabalho há mais tempo, temos mais de 150 milhões de ouvintes por semana. As parcerias que nós fazemos são firmadas com o intuito de fortalecer os dois lados. Por isso, existe, sim, uma troca. Nós temos um efetivo pequeno aqui no Brasil. Se não fossem as parcerias, que, além da CBN, temos com portais de Internet e agências [de notícias], não conseguiríamos dar conta deste país.

FM – Qual o modelo de mídia brasileiro que mais se aproxima da BBC?
AM -
É a TV Cultura, de São Paulo. Isso porque eles são financiados por uma instituição, a Fundação Padre Anchieta. No entanto, somos muito diferentes.

FM – Como assim, diferentes?
AM -
A Fundação Padre Anchieta recebe dinheiro do governo [do estado de São Paulo] e repassa para a TV Cultura. Quando o governo não gosta de alguma, corta a verba e a Cultura fica em situação de miséria, como aconteceu há pouco tempo, o que é lamentável.

FM – E de onde vem o dinheiro da BBC?
JP –
Vem do bolso dos cidadãos. Somos uma empresa pública porque quem banca a BBC são os ingleses. Cada residência que possui TV paga, por ano, 116 libras [cerca de R$ 630] pela licença para assistir à televisão. Então, 96,1% de todo nosso financiamento vem desse pagamento. É algo em torno de US$ 4,5 bilhões por ano. Os outros 3,9% vêm de propagandas comerciais. Por causa disso, 54,6% de toda a nossa receita são destinados à TV. 15,1% financiam os correspondentes, 12% vão para a rádio, 10,3%, para o Online, 5,9% são para a rádio digital e os 10,3% que sobram são usados para cobrir gastos com transmissão.

FM – Mas as pessoas pagam sem problemas ou tem gente que reclama?
JP -
Esta taxa é obrigatória. Está em lei. As pessoas têm de pagar.
AM - Mas tem muita gente que questiona, sim. Tem gente que entra com ação na justiça – e a BBC sempre ganha – e tem pessoas que, simplesmente param de pagar.

FM – E o que acontece quando as pessoas param de pagar?
AM –
Elas são processadas por tribunais semelhantes ao Ministério Público e são obrigadas a pagar uma multa que pode chegar a mil libras [cerca de R$ 5.410]. Se insistirem em não pagar, é cadeia, porque lá ninguém pode assistir à TV sem ter licença para isso.

FM – Ah, sim. Mas as pessoas não têm vantagem nenhuma sobre isso?
JP –
A vantagem é elas se verem representadas pela BBC.

FM – Quem manda na BBC?
JP –
A BBC é regida por um conselho administrativo que conta com 12 membros, que representam os segmentos da sociedade. O objetivo é ter uma voz plural e representar, de fato, a população. Entre os conselheiros, temos um professor, um empresário, um líder sindical, um estudante e por aí vai. Só não temos políticos envolvidos. Além disso, estamos submetidos, desde o ano passado, à Ofcom, que é uma agência reguladora.

FM – Pois é. Quando a gente falou sobre ética, surgiu o nome da Ofcom. Agora, surgiu novamente. O que é a Ofcom?
JP –
É uma entidade plural, constituída, se não me engano, por cinco membros, que também representam grupos sociais distintos. No entanto, os cinco são jornalistas oriundos dos meios impressos. A Ofcom não tem nenhum vínculo com o governo e regula quase todos os meios de comunicação na Inglaterra, inclusive a publicidade.

FM – Quase todos?
JP –
Sim. Eles só não regulam a internet, por considerarem que as páginas virtuais são meios multinacionais e julgarem que não possuem poder para controlar conteúdos que ultrapassem as fronteiras da Grã-Bretanha. São democráticos.

Entrevista com Cristiana Mesquita (2004)

Entrevista ping-pong feita por mim e pela Kellen Julio, do Fazendo Media, com a então chefe de produção da Associated Press Television News para a América Latina, Cristiana Mesquita, em março de 2004, dias antes de ela voltar para o Haiti e seguir para a base da APTN, em Buenos Aires.

ENTREVISTA: CRISTIANA MESQUITA

Mais de 20 anos cobrindo guerra. No currículo, Sarajevo, Nicarágua, El Salvador, Kosovo, Bósnia, Afeganistão e Iraque. Conversamos com Cristiana Mesquita, chefe de produção da agência de notícias Associated Press Television News na América Latina.

Victor Ribeiro – Por que cobrir guerra?
Por que não cobrir, deveria ser a resposta. É um evento jornalístico importante e não é para qualquer pessoa, porque envolve interesses, tem um preparo, mas que certamente todo o jornalista deve ter, pelo menos, curiosidade de cobrir. É notícia. É primeira página. É da maior importância que exista esta cobertura para as pessoas saberem o que está acontecendo.

Kellen Julio – Qual a sua opinião sobre a dificuldade na operação da notícia quando existe uma situação como a do Marcos Uchôa [correspondente da TV Globo], que cobriu a guerra do Iraque estando no Kuait?
Eu sei que foi muito frustrante, porque, por acaso, eu estava com o Uchôa na mesma época, no Kuait. Ele sozinho, com um cinegrafista no Kuait, ficou completamente à mercê das informações que recebia de segunda mão, ou seja: o que ele via na CNN ou recebia através das agências [de notícias].

Não vejo muito mérito em você cobrir a guerra no Iraque e ficar três ou quatro dias para passar no “Jornal Nacional”. Ou você vai para fazer um grande especial, ou você mantém regularmente um sistema em que você esteja regularmente lá.

Um lugar como o Iraque tem notícia todo dia. Se você quer fazer uma cobertura internacional séria, você não pode deixar de ter uma pessoa regularmente no Iraque. De um tempo para cá a televisão brasileira deixou de fazer cobertura internacional. As televisões têm contratos com as agências, recebem todas as imagens e aquelas que têm correspondente, saem e fazem uma passagem [trecho da matéria de TV em que o repórter aparece] por lá. Outro dia, assistindo ao “Jornal Nacional”, eu vi três matérias internacionais importantes, cobertas assim: a Patrícia Poeta falando sobre o Iraque, de Nova Iorque; o Luiz Fernando Silva Pinto, também sobre o Iraque, de Washington; depois vem o [Luiz Carlos] Azenha, também de Nova Iorque. Eu acho isso um recurso muito pobre. Não vejo razão para isso, porque quando você aparece é como se estivesse assinando a matéria. É como pegar o “Jornal do Brasil” ou “O Globo”, que publicam matérias da Reuters e da AP e, ao invés de colocar o nome da agência em cima, como eles fazem, um jornalista qualquer assumisse o crédito. Para cobrir uma guerra, você precisa ter uma estrutura que as televisões brasileiras nunca se prepararam para ter. Você tem todo um equipamento próprio, treinamentos especiais. Não sei qual é o esquema deles [os repórteres brasileiros], mas alguns editores argumentam que não há interesse em notícia internacional. Eu acho isso meio bobo. Não há interesse porque é malfeito. Se fosse bem feito, as pessoas se interessariam.

Victor – Não cobrem nem a Venezuela.
A América Latina, então, nem se fala… É uma vergonha total que a gente cubra tão mal a América Latina. Mesmo porque é a minha área, a minha paixão, apesar de eu viajar o mundo inteiro. Eu tenho que sair e comprar o “El País” [jornal espanhol], o “Clarín” [jornal argentino], se eu quiser saber o que está acontecendo na Venezuela ou na Bolívia, que está prestes a explodir de novo, porque aqui não tem nada. Na televisão, então, nem se fala.

Victor – Seria falta de interesse de quem?
Das empresas de comunicação. Eu detesto essa coisa de dizer que o público não está interessado. Eu não sou traficante de droga. Traficante de droga é quem diz: ‘Eu só vendo porque a galera compra’. Eu acho que é obrigação da imprensa informar. Isso acaba provocando um distanciamento cultural do Brasil com a América Latina, que é absolutamente trágico, porque dificilmente um brasileiro se considera latino-americano.

A sensação de latino-americanidade no Brasil é muito rara. Os meios de comunicação, pela sua própria falta de interesse, ainda não conseguiram deixar claro que tudo o que acontece na Venezuela, na Argentina, na Bolívia, tem repercussões da maior importância no Brasil.

Esse é um continente em que a gente precisava conhecer ao máximo uns aos outros, para até mesmo agir em bloco, quando necessário. Existe uma miopia muito grande das empresas de comunicação, que acham que a gente só quer saber o que está acontecendo em Washington ou na Europa. É fácil dizer que o Brasil adora coisa estrangeira, mas estrangeira do norte. Falar espanhol, nem pensar, é cucaracho [modo pejorativo como os latinos são comumente tratados nos EUA, em referência à palavra cucaracha, que significa barata, em espanhol]. Até os próprios jornalistas querem falar ‘Fulano de Tal, de Londres, para o “Jornal Nacional”’, não querem falar ‘Fulano de Tal, de Cochabamba, para o “Jornal Nacional”’. Eu acho um erro tremendo, que parece que a “Globo” está tentando acertar, colocando um repórter em Buenos Aires. A gente não tinha ninguém em Buenos Aires… Pelo amor de Deus! Tenha a santa paciência. Isso é ruim, porque do mesmo modo como eles são alijados por nós, eles também não reconhecem o Brasil como parte da América Latina. Como é que pode um país do tamanho do Brasil, com a riqueza cultural e a importância econômica que tem o Brasil, ser desconhecido para o resto da América Latina. É uma coisa de país colonizado, que só olha para os colonizadores, não olha para o vizinho.

Victor – Há pouco tempo a Bolívia passou por uma guerra civil. Agora você disse que ela está prestes a explodir de novo.
Vai estourar de novo, porque quando eles fizeram a formação do novo governo, mais uma vez as principais etnias e grupos, como os cocaleiros, quase não foram representados. Então, as razões que levaram ao levante do ano passado continuam lá. Nada foi resolvido com relação ao escoamento de gás, que não chegou a ser a razão, mas foi quase que um lema. Vai estourar de novo e cada vez eles se organizam mais. Cada vez os cocaleiros, os camponeses estão mais organizados e eles são aimares [etnia indígena], viu? Difícil de encarar.

Kellen – Você já cobriu guerra civil. Há pouco tempo a mídia dizia que o que se passava na Rocinha também era uma guerra civil.
Amiga, eu cobri Sarajevo. Eu morei em Sarajevo durante muito tempo. Aquilo é uma guerra civil.

O que acontece na Rocinha é uma pouca vergonha. Fico até feliz quando vejo na mídia ‘O Iraque é aqui’, porque enquanto a gente achar que aquilo é uma guerra civil, a gente nunca vai ter uma guerra civil.

Guerra civil é você não poder, dentro de uma cidade, pegar um ônibus e sair para trabalhar. É a falência de todas as instituições, quando você deixa de ter governo. É muito maior do que bandido trocando tiro com polícia, numa das favelas do Rio. Isso não é uma guerra civil: é uma guerra de gangues, com envolvimento da polícia, em que algumas pessoas, alguns civis inocentes, entraram no fogo cruzado. Mas ninguém está jogando bomba na minha casa.

Kellen – Mas é a imprensa que supervaloriza isso, ou é uma estratégia de governo?
Eu sinto muito. Adoraria dizer que a função principal dos jornais é informar, mas a função principal dos jornais é vender. Se você diz assim: ‘Troca de tiros entre bandidos na Rocinha’, você vende 100 mil exemplares. Se você coloca ‘O Iraque é aqui’, vende 500 mil. Agora, eu acho que isso desinforma sobre o que está acontecendo na Rocinha e sobre o que está acontecendo no Iraque. Porque assim como na Rocinha não está explodindo bomba e não morrem centenas de pessoas por dia, todos os dias, durante meses, o Iraque também não pode ser chamado de guerra de bandido. Nem as tropas americanas são bandidos, nem os rebeldes insurgentes são bandidos. Então, um título como esse desinforma totalmente. Eu acho irresponsável. E eu peguei uma dobradinha danada: foram dois meses e meio de Iraque e de lá eu fui praticamente direto para o Haiti. Aí, eu cheguei aqui e as pessoas falavam que eu não iria mais precisar viajar para ter guerra, porque tinha guerra na Rocinha. Tenha a santa paciência!

Deslizamento de encosta em Niterói (2005)

Essa reportagem é uma suíte de uma reportagem sobre o deslizamento de terra que aconteceu numa importante via que liga a Zona Sul ao Centro de Niterói. Publicada no site O Fluminense Online dia 1º de junho de 2005 e no jornal O Fluminense, no dia seguinte.

01/06/2005

Título
Rua completa um mês de interdição no Ingá

Chamada com foto-legenda
A Rua São Sebastião, interditada desde o dia 2 de maio pela Defesa Civil, só será liberada depois que uma empresa contratada pela prefeitura construir um muro de contenção. Enquanto isso, o movimento no comércio despenca, os motoristas que vão da zona sul de Niterói para o Centro perdem muito tempo no trânsito e os moradores seguem insatisfeitos.

Texto interno
Quem precisa passar pela Rua São Sebastião, no Ingá, vive um transtorno que já dura um mês. No dia 1° de maio, a chuva fez parte da encosta do Morro do Estado deslizar e atingir uma das principais vias de ligação da zona sul ao centro de Niterói. No dia 2, houve mais deslizamento e o trânsito foi interrompido pela Defesa Civil. A prefeitura anunciou a construção emergencial de um muro de contenção e a licitação para decidir qual empresa vai construir este muro está marcada para esta quinta-feira. A previsão é de que as obras comecem imediatamente e durem quatro meses. Enquanto isso, os motoristas tiveram de aumentar seus trajetos em mais de um quilômetro e perdem até 30 minutos no trânsito. Já os comerciantes reclamam da forte queda nas vendas.

Jair Carneiro, gerente de um posto de combustível que fica no cruzamento das ruas São Sebastião e Andrade Neves, afirma que o movimento caiu 70% e diz que a redução só não foi maior porque muitos clientes fiéis ainda procuram abastecer no local. “Se a rua continuar fechada, vou precisar tomar empréstimo para pagar as contas do posto e possivelmente terei que demitir alguns funcionários já nos próximos dias, para reduzir meu prejuízo”, acrescenta.

Os moradores do bairro também estão insatisfeitos. A professora Maria das Graças Soares se diz inconformada de ter de percorrer mais de 1,5 quilômetro desde o cruzamento das ruas Fagundes Varela e Paulo Alves até o edifício São Sebastião, onde mora, porque fileiras de “gelos baianos” chumbados no chão impedem a passagem do seu carro. O caminho normal, que ela usava antes da interdição, tinha pouco mais de 150 metros.

Até esta terça-feira o bloqueio era feito apenas com cavaletes, colocados pela Secretaria Municipal de Serviços Públicos nas duas extremidades da rua. No entanto, durante a noite e nos finais de semana, quando os fiscais da prefeitura não estavam no local, os motoristas retiravam os obstáculos e usavam a via. A secretária de Serviços Públicos, Dayse Monassa, explica que foi necessário furar o asfalto para colocar os blocos de concreto, porque os motoristas não respeitavam o fechamento da rua. Ela classifica como irresponsável a atitude de quem passava pela São Sebastião, já que o movimento de veículos causa trepidação e poderia resultar num novo deslizamento. “Formou-se na encosta um talude negativo, uma espécie de pomo-de-adão, que pode cair a qualquer momento. Há uma árvore muito grande e muita terra, que, no caso de um deslizamento, causariam um desastre”, justifica.

O técnico em informática Júlio César da Silva Muniz mora na Rua Tiradentes, usada como desvio. “É bom que agora o ponto de ônibus fica quase na frente da minha casa. O problema é que a Tiradentes é uma rua residencial, sem a menor estrutura para receber esta quantidade de carros”, comenta. Dependendo do trecho das vias usadas como desvio (ruas Tiradentes, Lara Vilela e Andrade Neves), o tráfego flui em uma ou duas faixas de rolagem enquanto na São Sebastião fluía em duas ou três faixas. O estreitamento do caminho acaba causando congestionamento e aumenta o tempo de viagem em até meia hora.

O tenente-coronel Adilson Alves de Souza, da Defesa Civil Municipal, informa que, para o trânsito voltar ao normal, será necessário um laudo do órgão liberando a área. O documento, ainda segundo o comandante, será expedido assim que a prefeitura solicitar a liberação, o que só deve acontecer depois que o muro de contenção estiver erguido.

Victor Ribeiro, O Fluminense Online

12 Setembro, 2008

Eleições na Alemanha (2005)

Arquivado em: Online, Reportagem — Victor Ribeiro @ 20:18
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Essa foi para a versão online do Fazendo Media, um site/jornal que trata de assuntos ligados aos bastidores da imprensa e às relações entre a mídia e os poderes ecônimo e político. Publicada no dia 20/9/2005:

ALEMANHA FRAGMENTADA NOS 15 ANOS DA REUNIFICAÇÃO
Por Victor Ribeiro

O resultado da eleição para escolher o novo chanceler da Alemanha – a maior nação européia – ainda está incerto e pode significar uma crise, não só para aquele país, mas para toda a Europa, que tem na economia germânica um dos principais pilares da União Européia. Um país que há exatos 15 anos se reunificava formalmente volta a se dividir. Desta vez, o motivo não é a disputa ideológica (ou seria mercadológica?) entre capitalistas (EUA) e comunistas (URSS), mas a divergência partidária.

Uma reportagem da agência de notícias alemã Deutsche Welle tenta explicar a situação: “A candidata da CDU (União Democrata Cristã), Angela Merkel, se diz aberta a negociar ‘com todas as facções, com exceção do Partido de Esquerda’. Ou seja, os tradicionalmente conservadores democrata-cristãos se dizem aptos a formar um governo com os arquirrivais social-democratas e até mesmo com os verdes, que, no cenário político alemão, estão a anos luz de distância das propostas defendidas pelo partido de Merkel”. Na Alemanha, o premier só pode governar se tiver maioria no parlamento. Por este motivo Merkel precisa fazer estas alianças. Se não houver consenso, pode ser convocada uma nova eleição.

A informação vendida por aqui é que o motivo de tanta discórdia seria a agenda política de Merkel, supostamente privilegiando as causas sociais. De acordo com o estudante Axel Burger, brasileiro naturalizado alemão, a política de Angela Merkel “é bastante neoliberal e pode acabar com os direitos dos trabalhadores e dos desempregados da Alemanha Oriental”. É aí que entra a histórica data de 20 de setembro.

Quinze anos atrás acontecia exatamente o contrário: os parlamentos de Bonn e Berlim Oriental, juntos, aprovaram o tratado da reunificação territorial, que entrou em vigor no dia 3 de outubro seguinte. Antes disso, em 1º de julho de 1990, a Alemanha já estava monetariamente reunificada. Esta unificação, no entanto, ainda não ocorreu no aspecto social. Axel conta que ainda existe preconceito de boa parte dos habitantes da antiga Alemanha Ocidental por aqueles que moram na região oriental: “Tem gente que é discriminada até mesmo pelo dialeto”.

O estudante lembra que as diferenças não acabam por aí: “O Partido Comunista da Alemanha Oriental só tem prestígio lá na Alemanha Oriental. Ainda no lado oriental, as taxas de desemprego são muito maiores do que no ocidental. Com a política neoliberal de Angela Merkel, a tendência é que o desemprego só aumente”. E sentencia: “A Alemanha ainda não se unificou totalmente”. Se Merkel se tornar chanceler da Alemanha, além de ser a primeira mulher a assumir este cargo, quebrará um outro tabu: será a primeira representante da antiga Alemanha Oriental a se tornar primeiro-ministro. Mesmo assim, para Axel, o programa de governo da candidata não contempla os orientais.

Axel Burger já estava na Alemanha há dois anos quando o governo comunista do lado oriental derrubou o Muro de Berlim, um dos principais ícones da Guerra Fria, no dia 9 de novembro de 1989. Na época, com nove anos, não conseguia entender exatamente o que se passava, mas sabia que as duas partes da Alemanha estavam se unindo e que aquele era um momento histórico: “Eu era muito pequeno, mas percebi que meus pais estavam interessados naquilo; era algo muito importante o que estava acontecendo, as pessoas na rua estavam muito emocionadas”. Atualmente Axel mora na pequena e histórica cidade universitária de Tübingen, no sul da Alemanha, e mantém uma característica bem peculiar do país onde nasceu: o otimismo. Ele acredita que um dia a Alemanha será uma só.

Mostra Rio 80 Graus (2006)

Essa foi publicada em janeiro de 2006, no site Bitsmag, voltado para música eletrônica e rock alternativo e cultura pop em geral:

RIO 80 GRAUS: FESTIVAL RESGATA O QUE A ÉPOCA DEIXOU DE MELHOR

Victor Ribeiro, especial para o Bitsmag

Você lembra da Maldita Fluminense FM? Do Circo Voador no Arpoador? Do programa Globo de Ouro? Então: para dizer que viveu os anos 80, ninguém precisa ficar se recordando daquele monte de… digamos… coisas esquisitas, como Paquitas, Gretchen, Perlla e Magal. Foi esta idéia de valorizar aspectos positivos que levou André Fischer a organizar o Festival Rio 80 Graus, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio, entre os dias 17 e 22 de janeiro.

A onda de celebração dos anos 80 começou há três anos no Rio e São Paulo, se espalhando rapidamente para outras grandes cidades e, pouco depois, para o interior. A intenção é aquela que a gente já sabe: tocar músicas de 20 anos atrás, principalmente aquilo considerado trash, deixando pouco espaço para os clássicos. A proposta de Fischer é exatamente o contrário: “mudar um pouco o parâmetro sobre os anos 80”. Em relação às festas com esta temática retrô que rolam atualmente, afirma que viveu “aquele período. Não considero justas as homenagens à produção cultural daquela época”.

Ele partiu então, para um outro viés dos anos 80: selecionou filmes que mostrassem o verão carioca dos anos 80, “onde a paisagem era mais do que apenas um elemento de fundo, mas uma protagonista nas histórias”, define o curador. Ente as películas escolhidas estão Rio Babilônia, de Neville d’Almeida, com cenas de sexo, drogas e rock nacional, Menino do Rio, de Antonio Calmon, obra que popularizou os esportes radicais e fez dos versos de Lulu Santos (Garota eu vou pra Califórnia…) o som do verão, e o superpremiado Nunca Fomos tão Felizes, de Murilo Salles. Não poderia ficar de fora Bete Balanço, de Lael Rodrigues, com a trajetória de uma jovem do interior em busca do sucesso na cidade grande, ao som de Cazuza e Frejat, é lógico.

Como se não bastasse, vão rolar ainda nove vídeos, entre eles os que a diretora Ruth Slinger gravou em locações como Parque Lage, Circo Voador, ensaios do grupo de teatro Asdrúbal Trouxe o Trombone e depoimentos colhidos na época como o do diretor estreante Walter Salles. A cineasta Sandra Kogut apresenta também seu acervo com entrevistas e gravações feitas na cidade; o videomaker Jodele Larcher exibe o projeto Mixto Quente, série de shows gravados nas praias do Pepino e Macumba e videoclipes dirigidos para o programa Fantástico. O DJ e produtor José Roberto Mahr, selecionou os bastidores da gravação do programa de rádio Novas Tendências e imagens das festas que promovia na boate Papagaio na Lagoa. Sobre estes vídeos, André Fischer lembra: “a Globo era o veículo quase que oficial da nova música nesse período pré-MTV e as festas e programas de rádio do José Roberto tiveram uma importância fundamental na minha formação musical”. Levantar este acervo não foi fácil. Fischer diz que precisou muito contar com a boa vontade dos diretores dos documentários.

Não há propostas de levar o Festival Rio 80 Graus para outras cidades, mas Fischer não descarta esta possibilidade. Vale a pena dar uma passada no CCBB para conferir mais essa do André Fischer, que no ano passado organizou a Mostra Punk 30 Anos e há 13 anos está à frente do Festival Mix Brasil, de diversidade sexual.

O que? Festival Rio 80 Graus
Quando? De 17 a 22 de janeiro, a partir das 15h
Onde? Centro Cultural Banco do Brasil do Rio: Rua Primeiro de Março, 66 – Centro. Tel: 21 3808-2020.
Quanto? R$ 8 Cinepasse válido para qualquer sessão de filme ou de vídeo, por 30 dias. R$ 4 Cinepasse para estudantes e maiores de 65 anos.

10 Setembro, 2008

Despejo de moradores da Casa do Estudante (2005)

Arquivado em: Online, Reportagem — Victor Ribeiro @ 14:24
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Esta reportagem foi feita para ser publicada no dia 16 de junho de 2005, na época em que eu estagiava no Fluminense Online. Acabou que eu saí do site na mesma época e a reportagem nunca foi publicada. Abaixo, a matéria em estado bruto.

Essa pauta surgiu num papo na fila da xerox, na faculdade. Passei quase uma semana apurando, conversando com pessoas, lendo documentos, resistindo a pressões das assessorias e dos moradores e tentando encontrar pontos de equilíbrio. O assunto é delicado e, num primeiro momento, suscita sentimentos de solidariedade àqueles que estavam quase sem um teto. Mas havia histórias que mereciam ser contadas e não foram, porque as fontes não permitiram e, apesar de relatos verbais, era difícil conseguir correr atrás de documentos, uma vez que, enquanto fazia a apuração, eu dava expediente normalmente no site e precisava ir à faculdade. Tudo em Niterói.

Entre estes casos estava o de um rapaz, que, segundo os moradores, se formara havia três anos, continuava morando na casa e trabalhava numa loja da Leader Magazine na Barra da Tijuca. Recebia cerca de R$ 800 por mês. Não é muito dinheiro e não dá pra julgar se ele precisava realmente morar na Casa do Estudante ou não. Fato é que ele não atendia às regras para ficar lá e, por isso, não entregou a documentação. Não tinha nada de ideológico e anti-operessor na atitude dele, mas sim a intenção de encobrir uma irregularidade. Então, minha maior preocupação era deixar bem claro que minha reportagem não estava comprando a versão de ninguém, mas trazendo para discussão a falta de assistência aos alunos carentes, as “jogadas” daqueles que se recusavam a apresentar documentos, as reivindicações dos que cumpriam o estatuto e o descaso das esferas do poder e até mesmo das instituições de ensino com os assuntos relacionados à educação.

DEZENOVE MORADORES IRREGULARES SERÃO EXPULSOS DA CASA DO ESTUDANTE

Texto principal

Uma reunião nesta quinta-feira, às 22h, vai decidir o futuro dos dezenove moradores da Casa do Estudante Fluminense (CEF), no Centro de Niterói, ameaçados de serem expulsos por uma ordem judicial. No último dia 9 terminou o prazo de um mês dado pelo Ministério Público Estadual para que abandonem a Casa. A razão, segundo a Secretaria Estadual de Educação e moradores que preferem não se identificar, seria o fato de estes alunos não terem participado das entrevistas com assistentes sociais, nem apresentado a documentação exigida para permanecer no local: documento de identidade, comprovante de renda, comprovante de residência e plano de curso.

No entanto, a estudante Andréia Matoso afirma que o motivo do despejo é outro. De acordo com ela, “o novo Estatuto da CEF, criado no ano passado, contra a vontade dos moradores”, prevê que não poderia ficar no local ninguém ligado a movimentos estudantis, políticos ou sociais, nem quem seja praticante de alguma religião. Isso não é novidade: o regimento interno, em vigor desde 1985, já vetava “a formação de associação de caráter político ou religioso” naquele espaço. Andréia reclama ainda que três agentes de segurança de uma empresa terceirizada impedem a entrada dos moradores que estão na lista das pessoas que serão expulsas: “A gente tem que ficar dentro de casa. Se sair, corre o risco de não voltar mais”, conta.

O assessor da Secretaria Estadual de Educação, César Aires Rodrigues, refuta as acusações: “O Estatuto foi implantado há 20 anos pelo governo Brizola, mas muitos estudantes que moram lá não sabem o que o documento diz. Sobre os seguranças, não foi uma decisão nossa. O Ministério Público exigiu que nós colocássemos os vigias lá porque muitos alunos registraram ocorrências de violência e ameaças na polícia. Os seguranças vão proteger estes alunos”.

Link 1 – Duas expulsões marcam a história da Casa

Se esta expulsão ocorrer não será a primeira. Durante a década de 1970, a CEF tornou-se foco da resistência ao regime militar e, por este motivo, em 1978, 23 estudantes tiveram de sair de lá. Vinte e um anos depois, outras quatro pessoas foram obrigadas a deixar o lugar por não se adequarem às normas, entre elas, Josemar Santos da Fonseca, então pré-vestibulando, ameaçado de ser expulso novamente agora.

Josemar estuda pedagogia na Universidade Federal Fluminense (UFF) e é uma das lideranças do grupo que não apresentou a documentação, por questionar a legitimidade do Estatuto vigente e se diz “asfixiado politicamente”. Para ele, os moradores que participaram do processo de seleção oficial “foram instrumentalizados pelo governo do Estado”.

Atualmente 49 pessoas vivem na Casa do Estudante, que tem vaga para 48 pessoas, mas, de acordo com a Andréia Matoso, já chegou a ter 60 moradores.

Link 2 – Feitiço contra os feiticeiros

César Rodrigues conta que o problema atual começou no final dos anos 90. “Em 98 o governo realizou a última seleção oficial de moradores. Depois disso, o Estado acabou se omitindo e a gestão da Casa do Estudante ficou a cargo dos próprios moradores. Até que eles resolveram levar a questão para o Ministério Público, com a intenção de obrigar o Estado a realizar obras de melhoria. O MP decidiu, então, exigir que tudo fosse regularizado, ou seja, que o Estatuto fosse cumprido. Isso significa que o Estado retoma a gestão da Casa, faz melhorias e promove um novo processo seletivo”, explica.

Ainda de acordo com Rodrigues, não era isso o que os estudantes queriam. “A intenção desse pessoal que não entregou os documentos é assumir o controle da Casa, o que não vai acontecer, porque o governo do Estado resolveu assumir suas responsabilidades enquanto gestor do local”, afirma. Esta função foi estabelecida desde 1985, quando o regimento em vigor informava que “O Diretor da CEF deverá deliberar sempre que possível, e principalmente nas questões mais polêmicas e importantes, após ouvir a Assembléia Geral do Estudante”.

Com a decisão do Ministério Público, que devolveu a gestão ao Estado e prometeu fiscalizar se esta administração será feita respeitando o regimento em vigor, o assunto aparentemente foi encerrado. Aparentemente. A moradora Ana Kátia Sílva dos Santos, diz que no encontro desta quinta-feira tudo pode mudar. “O Décio [Décio Luiz Alonso Gomes, promotor do Ministério Público Estadual] cada hora nos dá uma informação diferente, muitas vezes desencontrada. A reunião desta quinta foi marcada por ele. O Décio disse que os moradores precisam se unir, porque se o racha continuar a Casa pode até ser fechada. O problema é que nas últimas semanas entraram dez moradores novos, aprovados por apenas sete pessoas e o promotor decidiu dar direito de voto a este pessoal novo. É claro que eles vão ficar do lado de quem os colocou aqui dentro. Vão ficar do lado do Josemar, que, assim, passará a ser maioria. Isso vai causar muitos problemas com o governo do estado”, alerta Ana Kátia.

O promotor não foi encontrado para comentar o assunto.

Link 3 – Responsabilidades divididas

A Casa do Estudante Fluminense foi criada oficialmente em 1949, quando morreu Alzira Cordeiro de Oliveira Mattos, então proprietária do imóvel que abrigava gratuitamente os estudantes secundaristas, vestibulandos e universitários que vinham morar em Niterói. Neste mesmo ano, o prédio de dois andares foi doado ao Governo do Estado. Durante a ditadura militar, a Casa foi sucateada, principalmente na segunda metade da década de 70, pois havia se tornado um dos principais focos da resistência estudantil. Já em 1992, o governo deu a CEF ao Sindicato dos Eletricistas, para saldar uma dívida de mais de dez anos.

Em meados dos anos 90, quando começou o processo de privatização da Companhia de Eletricidade do Estado do Rio de Janeiro (Cerj) e a permanência dos estudantes na CEF ficou ameaçada, a Prefeitura de Niterói tombou o local através do Patrimônio Histórico do Município, pelo Decreto n° 7.448, de 18/11/1996.

Apesar disso, os problemas não acabaram e, devido à infra-estrutura precária em que se encontrava o local e à pressão do Movimento Estudantil, a reitoria da UFF, onde estuda a maioria dos moradores, resolveu assumir a co-responsabilidade pela CEF. A resolução n° 1/2003 (ano XXXIII n° 29 de 18/02/2003 Seção III – Página 19) prevê “Que a Administração Superior promova imediatos estudos, em conjunto com o Governo do Estado, visando assegurar o funcionamento da Casa do Estudante Fluminense, elaborando um projeto de moradia que atenda às suas demandas. Para elaborar uma proposta de funcionamento da Casa do Estudante Fluminense, indica a Administração Superior que sejam estudadas fontes financiadoras e mantenedoras, avaliando-se a demanda da Universidade, através da apresentação de um projeto de moradia, com a instituição de um Grupo de Trabalho para apresentar relatório, com proposta concreta, dentro de cento e oitenta dias”. Por meio de sua assessoria de imprensa, o vice-reitor da UFF, Antonio José dos Santos Peçanha, alega que “não houve nenhuma formalização de parceria com o Estado em termos de gestão. Houve, sim, a intenção de firmar uma relação de colaboração”. Ainda segundo Peçanha, a UFF contribui com o café da manhã e com a limpeza da Casa do Estudante.

Victor Ribeiro, O Fluminense Online

Entrevista com Pato Fu (2005)

Arquivado em: Entrevista, Online — Victor Ribeiro @ 14:01
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Esta entrevista, feita por mim, foi publicada no Fluminense Online, no dia 10 de junho de 2005, quando o Pato Fu lançou o disco “Toda cura para todo mal”. Foi o meu primeiro texto publicado no Flu Online.

PATO FU: NOVO CD PARA CURAR OS MALES

Enquanto a maior parte das bandas fica por aí pedindo que os ouvintes votem para que suas músicas alcancem o topo da lista de mais executadas na rádio, eles pedem votos para seus dois videoclipes inscritos no festival Anima Mundi. Enquanto a maior parte das bandas lança um single e, só depois (às vezes, bem depois), um CD ‘cheio’, eles lançaram o álbum uma semana antes do single. Enquanto a maior parte das bandas se restringe a fazer videoclipes das músicas mais famosas, eles farão de todas as 13 faixas do CD. ‘Eles’, é claro, são o Pato Fu.

No último dia 31, chegou às lojas de todo o país o sétimo álbum de estúdio da banda mineira, “Toda Cura Para Todo Mal” (SonyBMG, 2005), precedido pelo “MTV Ao Vivo”, de 2002 (o último de estúdio foi “Ruído Rosa”, gravado em 2001). Os três anos desde o ao vivo foram muito bem preenchidos pela nova integrante da banda: a pequena Nina que, de acordo com o compositor-podutor-guitarrista-gaitista-tecladista-violonista-vocalista e pai da criança, John Ulhoa, “participava dos ensaios, fazia visitas, dava umas olhadinhas”. Nina é filha de John com a vocalista Fernanda Takai e os ensaios, gravações e mixagens ocorreram na casa deles, em Belo Horizonte.

Há uma semana as rádios de todo o país começaram a tocar o primeiro single, “Anormal”. A escolha, segundo Fernanda, foi feita pela gravadora, mas os fãs já conheciam “Uh Uh Uh, La La La, Ié Ié!”, que, desde março, está na página da banda na internet.

O FLUMINENSE ONLINE conversou o Pato Fu, que explicou o novo CD e antecipou algumas novidades, como o lançamento de videoclipes inéditos, o que, segundo Fernanda, vai ocorrer pelo menos uma vez por mês.

Ouvindo ‘Toda Cura Para Todo Mal’, parece que ele traz um pop mais experimental que os últimos álbuns de vocês, como ‘Ruído Rosa’ e ‘Isopor’. A que se deve esta mudança?
John Ulhoa:
Não sei. O CD é muito novo. Falta distanciamento crítico para eu fazer algum julgamento. Algumas pessoas pensam exatamente o contrário: acham que o ‘Ruído Rosa’, por exemplo, é mais experimental, mas eu não sei. O juízo sobre o disco, para mim, só se forma um ano depois. Posso dizer que as músicas são bem diferentes entre si e que nós tivemos muito tempo para produzir o álbum, levando o nível de acabamento até as últimas conseqüências. Foram três anos afastados de gravadora para curtir a chegada da Nina e, ao mesmo tempo, trabalhar com mais calma.

O que vocês ouviram nestes três anos?
John:
Ouvi muito uma banda do País de Gales, Super Furry Animals. Eles fazem um som muito bom. Além disso, escutei muita música de ninar, também. [risos]
Fernanda Takai: Super Furry Animals, Altercio Pelados, que são colombianos, e Goldfrapp. De brasileiro, ouço bandas novas, como o Ludov, e outras menos conhecidas, que mandam demos para a gente. Ah, também ouvi muita música de bebê. [risos]

De que forma isso que vocês ouviram interferiu no ‘Toda Cura…’?
John:
Interferiu pouco. A maior interferência foi o tempo que nós tivemos. Tem também uma influência muito grande do clima do estúdio, muito caseiro, muito amistoso e contou com visitas da Nina que, de vez em quando, participava dos ensaios, vinha ver a gente, dava umas olhadinhas.
Fernanda: Não influenciou diretamente, porque a gente costuma misturar bastante as coisas. O John, que compôs todas as músicas, se alimenta mais do cotidiano, dos filmes, dos livros, muito mais do que de músicas que a gente ouve.

Vocês usaram computador para dar efeito de sintetizador de voz em algumas faixas do CD. Em que medida vocês aproveitaram estes recursos para finalizar o novo álbum?
John:
A gente usa bastante este tipo de tecnologia nova, mas tentamos, ao máximo, não perder a característica orgânica de banda tocando. Gosto muito de manipular os sons no computador, mas também gosto de do som que a banda faz. Não consigo pensar neste assunto como algo fechado. Tem efeitos muito bons, mas também tem uns horríveis. Não dá para generalizar. Os efeitos eletrônicos são bons porque podem ajudar. Nós, por exemplo, fazemos uma manipulação cabeluda do áudio, mas também fazemos músicas como “Agridoce”, que não teve intervenção eletrônica.

Por falar em novas tecnologias, o que vocês pensam sobre o mp3 e os i-pods?
Fernanda:
Eu não acho que isso atrapalhe ou prejudique o meu trabalho. Desde que o nosso site entrou no ar, em 97, a gente coloca trechos de todas as músicas lá. Aí, os internautas ouvem nossas músicas, inclusive as que não tocam nas rádios, conhecem nosso trabalho e acabam comprando nosso CD. Eu mesma baixo muitas músicas em mp3. Aí, quando eu gosto, compro o CD, mais por um motivo profissional do que por outra coisa. Gosto de ler a ficha técnica, saber quem produziu, quem tocou…

Vamos para outra parte do álbum. O projeto gráfico do encarte traz ilustrações dos ensaios e gravações. Vocês deram algum palpite na produção do encarte?
John:
Palpite a gente dá sempre e em tudo. Se deixar, saímos por aí vendendo o álbum de porta em porta. Gostamos da idéia do encarte. São ilustrações sobre fotos do Ricardo [Koctus, contra-baixista], que dão um clima caseiro ao CD. Tem ainda as letras rabiscadas, que foram modificadas durante os ensaios e copiadas manuscritas para o encarte.

Além das ilustrações no encarte, os videoclipes de vocês são desenhos animados. Dois, inclusive, estão na disputa do Anima Mundi 2005. Como vocês pensam em trabalhar os vídeos das músicas deste álbum?
Fernanda:
A idéia é disponibilizar no www.patofu.com.br pelo menos um clipe por mês. Vamos fazer vídeos de todas as músicas e colocar tudo gratuitamente no site, para apresentar o álbum inteiro aos nossos fãs e também para quem não conhece. Das 13 músicas, já temos nove clipes prontos. Os outros quatro – “Agridoce”, “Anormal”, “Sorte e Azar” e “Vida Diet” – serão finalizados até agosto. Já sobre o Anima Mundi, a gente conta com o voto popular para os clipes de “Tudo” e “Uh Uh Uh, La La La, Ié Ié!”.

Sobre o repertório, em si, percebe-se uma grande diferença de ritmo entre a levada pop de “Uh Uh Uh, La La La, Ié Ié!” e a música que vem logo depois, a lentinha “Sorte e Azar”. Isso é proposital?
John:
É proposital, sim, mas não é tão pensado quando estamos fazendo: a gente vai gravando e vê no que dá. Não nos prendemos a um ritmo e, por isso, é muito difícil nos rotular. É isso o que queremos. Já na hora de escolher a ordem do CD e também do show, damos prioridade aos contrastes e isso é muito divertido. Tocamos uma música rápida e, logo depois, uma lenta e essa característica heterogênea deixa o show com a mesma vibração do início ao fim.

Por falar em show, como vocês vão fazer aqueles efeitos de sintetizadores e as distorções no palco, ao vivo?
John:
A gente usa um computador no palco. Na verdade, este computador é um dos módulos do Lulu [Camargo, tecladista]. Ele tem um programa que manipula os sons em tempo real. A gente usa efeitos eletrônicos desde o início da carreira, mas, como eu disse, sempre procuramos manter a característica orgânica das músicas.

A turnê do Pato Fu começa dia 3 de julho, em Belo Horizonte (MG), e ainda não tem data para chegar ao Rio.

Victor Ribeiro, O Fluminense Online

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